O Messias e o Inferno
Ao chegar no Portão do Céu, o Anjo Gabriel veio ter com o pequenino Diogo. "Bem vindo de volta seu verme!" - disse ele com empostada voz. - "O Pai deseja lhe falar." Enquanto ia ao encontro de Deus, Diogo era motivo de chacota na rua, as pessoas jogavam tomate nele e cuspiam na sua cara, xingavam-no e caçoavam de sua condição deplorável. Ao pobrezinho só restava o choro e a angústia e, cabisbaixo, chegou diante do Todo Poderoso. "O que deseja comigo amado Pai?" - disse Diogo com amargura na voz. O Inefável assim falou - "Não pense que seus gracejos amolecem minha consciência. Chamei-o aqui para que me faça um favor." Uma esperança se acendeu no peito do Diogo que com suave voz tal qual o canto do rouxinol questionou - "O que desejas, Pai amado?". "Quero que você me divirta indo novamente pra fila fantasiado de Carmem Miranda!" - e estatelou no chão de tanto rir e, logicamente, todo o céu riu... menos uma pessoa. Essa pessoa aproximando-se do risonho Criador da Vida, falou em alto e bom som. - "Por que fazes isso com alma tão boa e fiel? Que mesmo com todos os labores, ainda o trata com amor e carinho?". De imediato cessou o riso e um sonoro ar de reprovação foi sentido no Paraíso. "Quem é que me intercede e com palavras incensatas acaba com a minha diversão?" - bradou Deus. "Eu Senhor." - disse o transeunte. "PAGARÁ com dor e morte lenta juntamente com o infame na Terra. Castigado será pela corja, sofrimento terá pela pobreza e pelo chicote! Vá para a fila junto com aquele estrume!" - disse o Pai em total estado de ira. Depois de um tempo, já na fila, fantasiado de Carmem Miranda e totalmente triste, Diogo vê o seu defensor chegando e o reconhece. "Por todas as cornetas dos Anjos, por que foi defender-me?" - questionou. "Não acho correto o que fazem contigo meu irmão." - disse o rapaz. "Sinto-me honrado, mas já vou descer à Terra com o peso da culpa! Eu não precisava da sua ajuda Jesus!"
Já na Terra a alguns anos, Diogo vagava sem destino, sofrendo como de costume. Nascera numa terra devastada, um deserto enorme e sob a tirania dos Romanos. Um belo dia, ouve um nome que nada tinha de estranho. "Jesus! Jesus veio nos salvar! Ele é o filho do Homem!", Diogo ouvia essas coisas e ficou muito puto! Pelo que ele sabia Jesus ia descer aqui para sofrer, e não para ser aclamado o Filho de Deus!!!! Diogo foi ter com Jesus e este não o reconheceu. Aproveitando-se desse fato e da fama que agora tinha Jesus aqui na Terra, Diogo passou a segui-lo com outros caras. Diogo viu que Deus havia dado poderes sobrehumanos a Jesus. Ele andava em cima da água, curava todo mundo, ressucitava os mortos e multiplicava os alimentos. Isso despertou a ira dos Judeus e incomodava a Roma e estes começaram a persegui-lo sem sucesso, obviamente, na caça. Mortalmente ferido pela inveja, Diogo foi lá e dedurou Jesus e seus apóstolos para as autoridades em troca de um saquinho de moedas de ouro. Capturado, torturado e crucificado foi Jesus. Diogo, ao ver que havia errado sentiu-se arrependido de ter entregue o único ser que o havia defendido no Paraíso aos malditos Judeus, esses agora odiados em seu coração. Com dor ferina tirou a própria vida enforcando-se e assim, Judas como era conhecido na Terra, ficou marcado para todo o sempre com a mancha da delação e da traição enquanto Jesus deu origem à maior, mais rica e poderosa instituição que a Terra jamais vira e até hoje seu nome é lembrado com amor e carinho.
Determinado a mostrar seu valor ao Pai Maior e acabar com todo aquele sofrimento, Diogo, o pobre menino condenado a 5 encarnações de dor e agonia, chegou novamente nas portas do Céu. "Cala-te seu anjo imundo, não tolerarei suas graças para cima de mim!" - Diogo bradava com o anjo Gabriel demostrando toda a sua determinação para merecer o respeito. "Cale a boca você verme imundo, saiba que uma punição severa o aguarda por ter feito uma afronta ao Filho de Deus!" - retrucou o enfurecido anjo. Diogo confuso, tentava entender que traquinagem era aquela. Como assim, Jesus declarado Filho de Deus também no Paraíso? Foi ter diretamente com o Pai e assim o questionou - "Como? Como seu filho lá e aqui também? Como que aqui chego e vejo-o sentado ao seu lado Pai se antes ele era um de nós? Declaro-te meu profundo amor meu Senhor e a Ti reservo toda a lealdade, mas não creio no que vejo!" Deus não deu nenhuma atenção aos argumentos do pequenino e com um gesto, fez com que dois capatazes bombados agarrasem Diogo brutalmente. "Pagará durante um bom tempo no último círculo do Inferno, onde reina o meu oposto que ainda assim é meu filho. Por ter se rebelado contra o Pai, se encontra em frio cortante e com 2 bocas das três que tem, alimentadas, faltando para a terceira o alimento necessário, no que designo você para tal. Será triturado e moído, mastigado e tal qual os ruminantes, regorgitado e mastigado de novo até o dia em que Eu achar que pagou o suficiente por ter traído meu mais ilustre e querido filho." E ao fim de suas palavras, o pobre Diogo foi levado ao Inferno. No vestíbulo, pôde ver o poeta Virgílio que anos mais tarde guiaria Dante em sua jornada ao Inferno e Purgatório. No vestíbulo se lia uma placa que fez com que o coração de Diogo falhasse uma batida e assim dizia "Por mim se entra no reino das dores; por mim se chaga ao padecer eterno; por mim se vai à condenada gente. Por amor à justiça, criou-me o poder que tudo pode, pois que sou obra da suma sabedoria e do amor supremo. Antes de mim, apenas foram criadas as coisas eternas e, como estas, eu eternamente existo. Deixai aqui todas as esperanças, ó vós que entrais." Ali ele chorou e tremeu, ouvia o som gélido do vento, os gemidos dos mortos e o odor pútrido da necrose. Foi levado à presença de Minos, entidade que sentencia onde será levado o condenado. Olhou Diogo, riu e determinou o caminho. Tal qual Dante que dali a mto tempo faria esse mesmo caminho, a alma de Diogo se despedaçou e, ao encontrar Lúcifer pela primeira vez, entrou em choque de pavor e desespero e ali, sofreu horrores, tendo por compania o gigantesco demônio e a lamurienta dor dos outros dois que também em sua boca pereciam, Cássio e Brutus eram eles. Ali ficou, mais de 1800 anos. Tal qual um novilho ao abate, Diogo rugia a dor do pranto. Dias e dias, em dor extrema chorava e dali feito culpado, pagando por vil delação, embuído em pecado. Bradava ao Pai Celestial a todo momento, levando Lúcifer a se enfurecer e desejar que na boca em que padecia o réu, fosse a labuta, de fato, ainda maior e mais intensa.
Escrito por Diogo Bulldog às 12h47
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Ainda no passado distante, dor e agonia
Chegando no céu, Diogo foi ter com Deus. "Pai, porque eu? De bilhões o Senhor escolheu logo eu? Puta que Pariu viu é azar demais!" - Diogo, o pobre Abel que residiu no mundo e morreu espancado depois de anos de trabalho duro, bradava suas reclamações. Deus se enfureceu, pela primeira vez desde que ele mesmo fora criado, "Como ousa se dirigir a mim com palavras tão baixas? Ainda por cima acusando-me de estar errado! Eu DEUS Todo Poderoso, que NUNCA ERRA!!!!!!" Trovões, bolas de fogo e explosões, a fúria divina estava sendo posta pra fora. "Você pagará por essa insolência com mais 4 encarnações de dor e desespero, de privações e ódio, de horror e morte! Pagará só e ninguém mais pagará por ti. Encerro agora os testes, você será o único a sofrer as dores eternas!!!!!!" - bradou Deus Todo Poderoso com sua retumbante voz, para um choraminguante Diogo que, de joelhos, gritava "NO! DEUS! NO POR FAVOR! NOOOO!" Mas o Criador estava irredutível e colocou Diogo na fila de espera para descer de novo. No pescoço do pobre coitado, Ele colocou uma placa, "FRACASSADO" dizia e durante os anos em que ficou na fila, Diogo chorou.
Qual não foi a surpresa de Diogo que ele desceu de novo como pastor e que, pasmem, continuava tomando chifradas das cabras e cabritos que ainda teimavam em não respeitar os seus comandos. Rezava todos os dias, pedindo amenidades em sua vida. Tudo era dor, morava num deserto no meio de sabe-se lá onde, sem água e sem condições. Ainda foi mais castigado porque tinha uma mulher que sempre reclamava de tudo, não entendia nada de porra nenhuma e cismava em dizer que o pau do pobrezinho era pequeno. Outra coisa em que sua mulher enchia o saco, era o fato de querer ter filhos, coisa que o pobre Pastor era contra. De tanto a mulher encher a porra do saco, ele foi lá, meteu nela seguidas vezes até a piranha embuchar. Eles já estavam velhos a essa altura mas o nenê nasceu saudável e forte. O pobre Pastor nunca foi ajudado e sempre se fudia sozinho. O coitado ralava pra caralho pra sustentar a merda da mulher e a porra do filho. Viriam na sua vida mais 2 mulheres e 2 filhos... coitado dele. Madou embora 2 das mulheres e dois dos filhos extras "Saiam daqui seus merdas! Desejo dor e morte para vocês, seus pústulas desgraçados!" E lá se foram eles, exalando uma avalanche de xingamentos ao pobrezinho. Num belo dia, Deus aparece para o pobre velhinho e diz "A parada é a seguinte seu detrator! Pega esse moleque aí e sacrifica ele pra mim! Sobe no alto daquela montanha e rasga o fedelho!", o velho, já surdo pergunta "O que, você quer um tufo de pentelho?" e Deus furioso replica "Não Abraão! Quero apenas a vida de seu filho em sacrifício à minha honra!" Abraão, nome nefasto que Diogo tinha agora, disse com lágrimas rolando pela face "Mas Isaque é o único filho que eu amo! Não farei conluio com você para tirar a vida dele!" "Presta atenção Abraão, vou te dar mulheres mudas, dinheiro e fama..." Deus foi interrompido bruscamente por Abraão q dizia tristonho "Farei sua vontade meu Senhor, não pelo dinheiro ou pela fama, nem mesmo pelas mulheres mudas, mas para provar a Ti que não mereço tal punição... snif!" No outro dia, Abraão pegou Isaque e subiu a montanha. Amarrou o pobrezinho e puxou a adaga, quando ia rasgar o filho no meio, com a dor a dilacerar o seu coração, Deus aparece e, tal qual João Kléber, grita "Pára! Pára! Pára! Pára!" e começa a rir muito, muito mesmo. "Era tudo uma pegadinha seu bosta!" riu Deus e um coro de almas no Paraíso, estas, rindo também, porque aquela pegadinha estava passando em rede nacional lá me cima. A surpresa maior veio quando o amado Isaque também desatou a rir e de repente o mundo todo estava rindo, todos sabiam da pegadinha desde o nascimento do pobre pastor, que nem os cabritos e cabras respeitavam. "Eu queria morrer agora, nesse momento!" lamiriou-se Abraão "Mas você viverá MUITOS anos ainda seu velho maluco!" disse Deus a gargalhar "Viverá mais do que nenhum outro homem!". E de fato, Abraão foi o homem que mais viveu em toda a história do mundo. Uma vida onde foi caçoado, humilhado, por pessoas e animais, destratado e todas as atrocidades morais que um ser humano suporta. Morreu sozinho no meio do deserto, ouvindo os risos de escárnio, dos pequeninos grãos de areia.
Escrito por Diogo Bulldog às 11h16
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