Pedido de perdão e um sonho
Peço imenso perdão aos parcos e fiéis leitores, que sei, me elogiam por amizade, pelo meu equívoco em esquecer os arquivos do relato de minhas encarnações no meu computador no Rio. Se não bastasse o sofrimento que apenas Barra Mansa pode me oferecer, ainda carrego essa macula de ter esquecido a PORRA dos arquivos. Desde já me disponho a ser xingado, açoitado e chacotado em praça pública por esse erro ridículo que somente o verdadeiro Menino Mendigo poderia cometer e ninguém mais. Seria Deus conspirando contra mim? Tentando de todas as formas evitar o relato verdadeiro dos bastidores do Paraíso? Não, nada disso, cá estou eu tentando de forma vã, justificar meus grotescos erros que merecem severas e dolorosas punições.
Hoje sonhei que era uma vassoura. Minha dona mto sorridente me comprou. Ela pagou o preço de 4 boas vassouras para me ter. Ela me mostrou para toda a família, depois para os vizinhos e para os garis na rua. Ela se orgulhava de mim.
A hora da faxina se aproximava e minha dona, uma exemplar e bonita dona de casa, se arrumava toda para me usar. O marido estava no trabalho, um executivo bem sucedido, o casal de filhos na melhor escola da cidade e ela se arrumando para me usar. Toda saltitante, me pega de modo carinhoso, afaga minhas cerdas e balbucia palavras de amor. Sinto as cerdas se alinhando ao chão, o Leão Lobo solta as fofocas na televisão, o jardineiro apara a grama perto da piscina de formas irregulares, modernismo, e a empregada já arruma o almoço, o chão parece macio. Acho q é o exesso de sujeira.
Minha dona começa os movimentos típicos de uma boa varrida. Como um pêndulo, sou jogado pra um lado e para o outro. Passado alguns segundos, sinto-me apertado por mãos fortes, o movimento pendular dispara e agora não sou um pêndulo, sou um limpador de para-brisas em um dia chuvoso. Vejos as cerdas espalhadas no chão que esfregado não se limpa, pelo contrário, se suja ainda mais. O chão ainda macio. Talvez seja a sujeira... e ela não sai. Vigorosos movimentos acabam por me destruir e minha dona e eu caimos ao chão, ela treme, os cabelos desgrenhados aumentam a sua aparência de pavor e decepção. Como um maníaco pedófilo que, ao se deitar com uma bela criança, a sodomiza por completo, vejo ela me pegar e me quebrar ao meio. Sinto a sua respiração ofegante, os pingos de suor se misturando ao pó no chão do cômodo.
Ela pagou o preço de 4 boas vassouras para me ter.
Em pedaços me vejo ao chão enquanto a elegante mulher se levanta. Me olhando com raiva e apontando um dedo acusador na minha direção, ela me diz uma palavra, um nome e toda a minha existência perde o sentido... Diogo ela diz.
Escrito por Diogo Bulldog às 01h35
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