As 5 Chagas - Segunda Parte / Epílogo
A adolecência aflorava e cultura freak dos anos 90 assolavam o mundo. Por ser muito freak, Diogo conseguiu alguns amigos que o usavam como Bobo da Corte. Diogo sabia que esses amigos só queriam explorar o potencial cômico da desgraçada vida do miserável, mas aceitava tudo na boa, pois era puro de coração. Diogo era obrigado a ver seus amigos pegando a mulerada e ele, cabisbaixo e só nas festinhas, lamentava e se deprimia ainda mais. Tempos se passaram até Diogo dar um beijinho. Sorte a dele que a menina era cega, pois se ela o visse, riria da sua cara e com tomate regaria a sua face. Todavia, as coisas não foram muito bem nesse início de vida para ele. Logo após beijar a rejeitada menina cega, ela fez para ele, uma cara de nojo como nunca vista antes. "Nossa, você é muito feio! Não enxergo, mas a feiúra é tanta, que você fede!" - disse a menina aparentemente em estado de horror. Diogo saiu imediatamente da frente dela, sentou na beira do rio Paraíba do Sul e chorou. Foi assolado por dores que nenhum homem jamais sentiu e dali para frente, resolveu ter uma banda. Com a banda as coisas melhoraram bastante, afinal ele era um rockstar Barramansense! Em um de seus shows, o pequeno sofredor, consegiu pegar uma menina, esta suportando tudo o que podia apenas para ficar com o Rockstar, não com o Diogo. Foram para o motel onde ele finalmente perderia a virgindade. A menina tirou a roupa e Diogo foi ao céu! Beleza magnífica o corpo da mulher, o cheiro doce a a pele alva, traziam a ele uma sensação muito boa, ali a vida estava dando a ele, um motivo para viver... mas tudo foi dor e desespero. Ao tirar a camisa, um sorriso de sarcasmo saiu da boca da menina, ele era feio e gordo, mas Diogo não ligou. Quando tirou a cueca, a menina apontou para ele e com risadas furiosas, apontava para o meio de suas pernas. A quarta chaga tinha aflorado. "Você está pensando em me comer com esse pirú ridículo aí? Essa porcaria não serve nem de isca pra peixe!" - bradou ela aos prantos de tanto rir. Mas pranto mesmo acometeu o sofrido rapaz. Vendo-se em completo estado de abandono de qualquer auto-estima, Diogo se vestiu, assim como a menina, pagou a conta e foram embora. Desolação era a palavra para descrever o semblante do pobre Diogo, quatro chagas o colocavam entre a dor e o sofrimento e ainda havia mais uma. Além de ter tido a vergonhosa experiência com aquela menina, Diogo reparou que todos riam da sua cara na rua e no colégio. Foi quando viu cartazes na rua com uma foto dele pelado tirado por uma microcâmera no momento em que ele tirava a cueca. Foi motivo de piada na padaria, na locadora, no banco e pasmem, até em casa na hora do almoço. Sem mais prazer pela vida, se entregou ao video-game e ao RPG pois lá era feliz e lá dominava o mundo. O video-game proporcionou em sua vida, um alento, pois naquelas horas de jogatina, ele era de fato feliz e com isso, fez algumas amizades.
Quase na fase adulta, Diogo reparou que estava ficando careca... a quinta chaga veio com força total, tirando todos os cabelos dele em apenas alguns anos. Era humilhado todos os dias pelas pessoas, "Olha lá o gordo careca!", "Olha que filho da puta! Além de careca ainda é um gordo brocha!" Sim, sim, Diogo era sim um gordo brocha, era tão brocha que não conseguia nem bater uma punheta! Pobrezinho. As cinco chagas estava completas, Diogo era brasileiro, gordo, surdo, extremamente mal dotado, tendo quase uma buceta, e era careca. Apareceu em jornais e revistas que exploravam a desgraça alheia, fez aparições em circos e tinha virado adjetivo para gente fracassada. Ele era tão fracassado que um dia na Páscoa, viu as pessoas queimando e espancando um boneco na rua, essa pessoas estavam malhando o Judas. Diogo sentiu uma pontada no coração pois era malhado e escrotizado na rua por uma encarnação que tivera a quase 2 mil anos atrás. Ao tentar resgatar a sua honra, salvando o boneco, Diogo foi espancado e queimado como se ele mesmo fosse o boneco do Judas. Não era o boneco, mas era de fato, Judas. Os 4 rapazes que o queimaram, ganharam medalhas e homenagens em todo o mundo, haviam prestado grande serviço à comunidade mundial, tiraram das ruas o ser mais odioso que aqui já pisara. Diogo nunca levantou a mão, nem respondeu e nem odiou ninguém, ao contrário, perdoou a todos, até mesmo os judeus, e sempre se dirigiu de forma respeitosa e cordial a quem quer que seja. Marcado pelo ódio das pessoas, Diogo foi brutalmente levado ao limite entre a vida e a morte. Foi jogado no hospital e tratado como um animal, mas até mesmo um animal teria sido mais bem tratado.
Epílogo:
A de se dizer o que aconteceu no hospital. Diogo chegou lá todo queimado, a pele derretida e todo desfigurado. Ninguém quis cuidar dele. Jogado no corredor do hospital, em meio aos dejetos médicos, viu luz como nunca tinha visto antes. Viu Jesus vindo em sua direção, vestia um belíssimo terno e chapéu panamá. Na boca um legítmo cubano, na mão um J&B com gelo. "Olha só pra você? Depois de demonstrar amor ao Pai durante tantos anos, veja como tudo terminou." - disse com voz serena que deixava o pobrezinho do Menino Mendigo calmo diante de toda a dor. Jesus providenciou ao pobre Menino, uma vaga na UTI. Diogo estava muito machucado e seu estado era grave. Alimentado por tubos, respirando com aparelhos e em coma, Diogo teve pesadelos incessantes. Relembrou todas as suas vidas, cada segundo, cada sofrimento. Tendo uma visão em terceira pessoa da própria vida, Diogo viu como tinha amado Deus acima de todas as coisas, como tinha perdoado todos aqueles que o fizeram sofrer... viu quantas vezes chorou sozinho, sem ninguém para lhe acolher. Viu as atrocidades que suportou, viu toda a dor e viu também que mesmo assim, nunca desistiu, nunca deixou de se levantar mais uma vez e seguir em frente. Deitado ali na cama, vendo que depois de tudo isso, ainda se mantinha de pé, lutando, Diogo resolveu viver, viver como nunca antes. Se sentia, pela primeira vez em toda a sua vida, por cima de todas as outras pessoas. Dentro dos sonhos, disse para si mesmo. "Vou lutar para viver e quando sair daqui, vou ser o maior ser que esse mundo já viu. Mesmo queimado e desfigurado, vou ser o maior!"
Ao abrir os olhos, voltando do coma, Diogo vê um vulto enorme saindo do quarto. Usando um manto desgastado preto, cabelos rebeldes e de pele branca como a neve. Os olhos emanavam um ar de sabedoria eterna. O vulto acenava para uma bela moça sentada ao lado do chamuscado rapaz. Ela acariciava o seu rosto. Tal qual o vulto que viu, ela também estava de preto, a pele pálida. Batom preto e desenhos lindamente delineados em torno dos olhos. Vê no pescoço um Ankh preso a um belíssimo colar. Ela olha para o outro lado da cama, com olhar de desaprovação. Ao seguir o seu olhar, Diogo vê um médico, extremamente familiar, ao lado dos aparelhos que o mantinham vivo. O médico olha para o desfigurado e diz "Você se fudeu de novo!" e a mão da linda mulher, fecha para sempre os seus olhos.
FIM
Escrito por Diogo Bulldog às 01h39
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Mensagem para você que leu essa porcaria
Bem, essa foi a história das 5 encarnações de dor e agonia impostas por Deus o pequenino Menino Mendigo.Tudo baseado em fatos reais e vividos por mim durante milhares de anos. Nessa vida tomei uma decisão que mudou o rumo em que seguia a linha do tempo contada na última encarnação. Todos nós vimos que, o depressivo Diogo, desistiu de viver, parou de lutar, caiu e não levantou mais. Achou que tudo estava contra e por isso aceitou todo o seu labor sem questionar. Na vida real, a que agora segue seu curso, Diogo tomou a decisão de não se submeter, de lutar e tentar de todas as formas ser bom. Ele tem uma família que ele ama, amigos não menos amados. Inimigos? talvez sim, não se pode agradar a todos, mas no meu coração não dou lugar ao ódio, ainda que, humano, peque diversas vezes em perdoar. Acho que sou querido também, e não há um dia em que não penso em cada uma de todas essas pessoas que fazem da vida algo muito maior e mais importante, um sentido do qual desejo sempre o bem. Espero que tenham gostado e muito obrigado.
Diogo Câmara Arneiro
Escrito por Diogo Bulldog às 01h38
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As 5 Chagas - Primeira Parte
Tortuosos eram os dias de Diogo no Paraíso. A ordem divina era que nenhuma alma poderia dirigir palavra ao meigo rapaz que, maltrapilho, acabara de chegar. Nem anjos, nem querubins, nem aqueles doces anjinhos delicadamente peladinhos das esculturas sacras, podiam olhar para ele, o que deixava o Menino Mendigo muito triste, pois ele adorava aqueles anjinhos delicadamente peladinhos. Sentindo o amargor na alma, Diogo, como sempre fez, foi falar com o Pai. Esse por sua vez, estava vestido com estranha roupa, toda vedada dos pés à cabeça e, dentro do inviolável traje, em sua face ia uma márcara de gás. "Vá para uma solitária agora! Ficará em quarentena até última ordem! Não quero que um ser contaminado por judeus, esses que têm imensa culpa na crucificação de meu mais querido e ilustre filho, não tendo apenas mais culpa do que você, verme maior, fique perambulante aí pela minha morada!" - disse Ele com severa voz de acusação."Seja feita a Vossa vontade e não a minha meu Pai. Vivo por ti e O amo. Tal ordem não precisa ser dada, apenas um pedido e tudo será como desejas." - disse Diogo com amor filial na voz e, indo em direção ao calabolço, soluçou um choro. Como reprimenda, levou um tapa na cara.
Após 33 anos nas catacumbas, Diogo viu a luz do sol em seus olhos. Sua alma se encheu de revigorante energia que o deixava feliz. Pouca duração teve a felicidade, já que foi açoitado durante 7 dias e 7 noites, para purgar todo o mal que, ainda se acreditava, levava no corpo. Terminado os festejos do açoite brutal e sanguinolento, o pobrezinho, todo esfolado, foi jogado diante de Deus. Este olhando-o com rudeza, determinou que Diogo descesse para sua última encarnação, não sem antes avisar "Descerá para o último tormento que garanto, será pior do que todos os outros que já tiveste. Deito-te na Terra acompanhado de 5 chagas, que transformarão a sua vida em Inferno sem igual. Tamanha será a dor, que na boca de Lúcifer desejaria passar o resto da eternidade. Desce, AGORA!"
Diogo foi cuspido na Terra novamente. Para o seu horror, ele estava em completa escuridão, com total consciência de sua vida. Por um tubo ligado na barriga e embebido em viscoso líquido, deduziu que se encontrava na barriga de sua nova mãmae e ali ficou, a espera do nascimento. Tudo era muito confortável e o pequenino feto foi se desenvolvendo, já com 8 meses, adorava ficar chutando a barriga da mãe. Foi em um dia desses, que descobriu a primeira chaga que Deus o mandara. Um belo dia, chutando a barriga da sua mãe, ela falou que possivelmente ele seria jogador de futebol e que ela ficaria feliz se o pequeno honrasse o seu país, o Brasil! Na mesma hora, o horror tomou conta de Diogo, saber que ia nascer no Brasil era doloroso demais, ali mesmo, já entrou em depressão. "Mas que diabos! Porque não nasci na Grande Nação Americana? Ou na Europa? Até mesmo na Etiópia! Mas logo nessa porcaria de merda de Brasil? PUTA QUE TE PARIU!!!!!" - resmungava consigo mesmo. Tateando no escuro, Diogo tratou de procurar uma cadeirinha, achando-a em cima dela subiu. Enrolando o cordão umbilical no pescoço, fez uma prece a Deus e se jogou. A falta de ar fazia com que ele fosse perdendo a consciência, estava desejoso de morte e, no instante em que a alma deixaria o corpo, ele foi atirado pra fora do corpo da mãe. "NOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!! POR FAVOR NO DEUS NO GOD NOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!" - ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo, estava sendo parido! Vã foi a sua tentativa de se enforcar. Ao sair por completo, foi espancado severamente pelo médico em seu pequeno bumbumzinho, mas se recusava a chorar. Mais porradas e nada, Diogo estava firme e forte evitando a todo custo as lágrimas. De cabeça para baixo e com bunda a doer, no nariz do menininho um tubo foi enfiado e este, chegando ao seu pulmãozinho, o fez chorar.... ele perdera a batalha. O familiar médico após a batalha o colocou no colo de sua mãe. Depois disso, nada mais haveria de se lembrar até anos mais tarde.
Diogo era o aluno mais esculachado da turma, todos eram perfeitos exemplos de seres-humanos e o coitado, um perfeito bobalhão. Era chacotado e humilhado e sempre se mostrava um péssimo aluno. Burro até onde alcanaçava a vista do homem. Nas aulas de educação física, ninguém o queria em seu time e assim, ele sempre ficava de fora das aulas, ficando assim melancólico e gordo... estava aí a segunda chaga, a gordura em exesso. Em casa as coisas não eram diferentes, seu irmão mais velho, tudo podia e, quando este fazia alguma coisa de errado, quem apanhava era o Diogo, o triste menino que nasceu com depressão. Em sua infância, apenas dor e agonia, mas desejaria ficar assim perto do que viria a lhe acontecer na adolescência. "Rezo-te Pai, pedindo misericórdia, pois já não suporto mais toda a dor dessa vida!" - rezou ele sem saber que já vinha sofrendo a mais de 10 mil anos. Diogo tinha um sério problema de atenção, às vezes as parcas pessoas que falavam com ele, e essas pessoas só faziam isso em caso de extrema necessidade, notavam que havia ali algum problema, parecia que Diogo não escutava. Mais uma chaga confirmada pelo médico, Diogo era surdo. Mais uma chaga, mais um motivo de chacota que levou o pobrezinho às lágrimas por diversas vezes... sua infância foi um horror.
Escrito por Diogo Bulldog às 09h01
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Fome de Sexo e a Segunda Guerra
Passado todo esse tempo, Diogo foi retirado da boca do Lorde Negro por 3 anjos fortemente armados. Estava irreconhecível, uma alma torturada, cheia de cicatrizes, tão pálido que faria o nobre garanhão do apocalíptico cavaleiro da Morte, se igualar ao ébano. Os 3 anjos recuaram ao sinal do medo pois tal era hedionda a aparência que não desejavam tocá-lo. Mas por fim protegido em finas vestes, Diogo foi levado ao céu. Sua entrada, que antes era motivo de risos e chacotas, causou lágrimas e pena. Coxo de uma perna, curvado sobre o próprio corpo, a barba suja e cabelos desgrenhados, unhas grandes e grossas quebradas, magro como o que, perecendo à fome, dá seu último suspiro. Mas choravam também as almas, pois ali viam e sentiam, no olhar e nos gestos, o perdão. Com força maior do que podiam suportar, foram se ajoelhando uma a uma e a cada que de joelhos se prostrava, Diogo se dirigia e, com palavras de carinho com rouca voz dizia, "Levanta-te irmão, pois não me digno a merecer tal honraria, esta que deve ser reservada ao Criador de Toda a Vida." Os anjos que o acompanhavam, fizeram também reverências às palavras de Diogo e em sinal de respeito e afeto, o carregaram pelo resto do caminho, no qual o pequeno sofredor, adormeceu.
Diante do Todo Poderoso e de seu filho foi posto em posição fetal ainda a dormir e de súbito, levou uma cusparada na face. Assutado como corsa perseguida, acordou e viu Ele rindo, sem nem mesmo demostrar compaixão. "Muito tempo se passou pústula desgarrado, energúmeno de alto quilate, desde que partiu efadonho ficou meu lar." - resmungou o Pai. "Vivo para servi-lo Senhor e se um dia atentei contra sua vontade é porque não era austero e nem sábio para entender seu empreendimento." Deus mandou que todos saissem da sala do trono e ali ficou, tendo por compania apenas o desgraçado coxo e seu querido filho. A de se fazer saber que Jesus olhava Diogo com amor maternal e ao menor sinal de que desejava ajudar o coitado, recebera uma reprimenda do Criador. "Vou te poupar da fila para descer, pois não desejo que tal dejeto fique aqui a poluir meu reino. Procurei algo que odeies com fervor em seu coração e a ti preparei uma surpresa ao descer." - assim falou a voz retumbante. Na mesma hora, já cá estava Diogo. Depois de tantos séculos de dor e sofrimento no Inferno, nem mesmo teve tempo de se recompor no Paraíso onde tudo é felicidade e punjança, menos lógico para o heróico menino.
"PUTA QUE PARIU!!!! COTARAM UM PEDAÇO DO MEU PAU!" - Diogo berrava em alto e bom som pela dor que já ao nascer, era submetido. Mas a dor foi pouca perto do horror que estava por vir. Com o pau ardendo em chamas de tanta dor, Diogo olhou para o lado e quase morreu ao ver, desenhada na parede, a Estrela de Davi! "NO! JUDEU NOOOOOOOO!!!! Mas que merda!" - continuava a berrar. Jamais em toda a sua vida, tivera tanto medo de viver no mundo. Enquanto berrava maldições e lamúrias, os médicos diziam "Que menino forte! Olha só como chora! Saudável, muito saudável!". E aquele impasse ficou acontecendo durante um tempo, Diogo berrava as maldições na língua culta e as pessoas só ouviam "NHÉÉÉÉÉÉÉÉ! UNHÉÉÉÉÉÉÉÉÉ!". Quando parou de chorar, o médico que estava com o pequenino seguro nas mãos, olhou bem para Diogo e este olhou para o médico. "Você se fudeu!" - o médico era Deus disfarçado e assim dizendo tratou de dar um belo tapa na bundinha do nenê que, lógico voltou a bradar lamúrias chorentas. Logo após todo o ocorrido, Diogo virou um recém-nascido de verdade e, até a vida adulta, nada lembrou de suas outras vidas. No momento do seu nascimento já tinha sido amaldiçoado, nascera numa família de Judeus.
Diogo era um melancólico e triste menino e se chamava Isaque, um nome que ele gostava muito e que, de certa forma, o trazia uma lembrança longínqua do qual ele não sabia ao certo de onde vinha. O fato de ter tido a memória apagada o fez gostar dos judeus, afinal de contas eles eram ricos e capitalistas e Isaque tomou gosto pelo dinheiro e pelo consumismo. Apesar de rico, muito rico, Isaque era feio, mas tão feio que aos 32 anos, ainda se encontrava virgem e nenhuma mulher sequer o olhava. Um dia chegou numa mulher com lepra e esta vendo a feiúra do coitado, saiu correndo gritando pelas ruas que estava sendo estuprada, ela que no corpo carregava chagas pestilentas e a falta do nariz tornava a sua aparência ainda pior que a do menino mendigo. Em outro dia, num prostíbulo, ao falar com uma puta, essa lhe disse que nem por todo o dinheiro que possuia, faria com ele o coito, levando a todos os presentes a rirem da sua cara. Assim sendo, Isaque se dedicava arduamente a trabalhar e ganhar mais dinheiro do que todo mundo junto. Ele se casou com o dinheiro, se masturbava com dinheiro e beijava o dinheiro como se fosse uma amante. Nunca teve uma mulher, até que um dia... Em idos de 1943, Isaque foi preso pela SS que o mandou para um campo de concentração. Lá trabalhou por comida para viver, mas já pensava seriamente em se suicidar. Dentro dos cárceres onde eram aprisionados os judeus, Isaque viu uma linda menininha de uns 10 aninhos, morta ao chão. Aquilo não era incomum, muitos estavam mortos e dali ninguém os tirava, o cheiro era insuportável. O único problema é que a menina estava nua e Isaque sentiu que seu pau estava duro. Sem pensar duas vezes, pegou o corpo gelado da doce menininha e a penetrou. "Não morrerei sem que tenha comido alguém, seja homem, mulher, criança, ser vivente ou morto!" - gritava enquanto estuprava o corpo já sem vida. Mal havia começado o ato e foi linchado pela multidão que além de bater, jogava estrume humano nele e mijava na sua boca. Logo após o tumulto, a SS entrou para averiguar a situação. Chegaram atirando e muita gente morreu em meio as gargalhadas alemãs. Isaque se fingiu de morto e dali a um tempo, no meio dos mortos fedorentos jogados a beira da estrada, tratou de tirar o atraso. Perdeu a conta de com quantos cadáveres ele transou, estava tão alucinado que, quando ia gozar, gozava em sua própria cara. O inverno deixava os corpos geladinhos e ele começou a sentir frio no meio da floresta. Pensou tanto em comer mulheres e crianças mortas que se esqueceu da própria fome. Isaque teve ali, em seus devaneios, recordações de outras vidas e vendo que havia se contaminado trasando com judias mortas, tratou de procurar um lago para lavar o seu corpo daquela imundíce judaica que contaminava seu corpo e alma. Esqueceu de tudo, do dinheiro, dos deliciosos momentos que passou com as inúmeras pessoas mortas, das gozadas na própria cara e tratou de pular num lago ali perto. Tamanha era a sua vontade de se limpar, que morreu afogado no lago tal qual Narciso. Antes de morrer portanto, sabendo já estar com a vida no fio da navalha, arrancou o pau inteiro fora e o isolou. Queria morrer longe do motivo de toda a ruína dessa vida, morrer longe do pau que nunca experimentou carne quente e que nunca sentiu, o sabor doce de uma mulher viva. Com o rosto marcado pelo terror que tivera nessa vida, teve ali o seu alívio, sua vida como judeu fracassado no amor, acabara.
Escrito por Diogo Bulldog às 12h20
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