As histórias da Vida do Menino Mendigo


Kaposi, a alegria terminal

Acordo e de modo rápido me arrumo. Uma boa cueca perfumada, calça jeans e uma blusa branca da Levi´s que eu adoro. Tênis, meia... tudo bem normal, a despeito da cueca cheirosa. Meus amigos, com pena de mer ver com 26 anos em pleno estado de secura sexual, me levarão a um boa boate para que eu finalmente me livrasse do estigma de virgem filho da puta. Diz-se que a tal boate é apinhada de putas pagas se passando por mulheres e garotas normais. Estou nervoso e já sinto o suor brotando dos poros do corpo. Com a minha debilitada saúde, qualquer nervosismo é perigoso, mas no toque do interfone tudo cessa e eu deço. Vejo encostados no carro meus bonitos e bem sucedidos amigos, pessoas pelas quais a sociedade sorri e que as mulheres adoram. São 3 amigos ao todo, um advogado, um web-designer/fotógrafo, ambos moram na mesma cidade que eu, e um amigo que mora em São Paulo e que desenvolve softwares para grandes empresas. Vejo-os bem arrumados, cheirosos, com corpinhos sarados e gel no
cabelo, ases do sexo. Da portaria do prédio sai um gordo, careca, brocha e que de cheiroso não tem nada apenas a cueca.

"Olá! Olá!" eu digo me dirigindo a eles. Me abraçam fraternalmente, vejo pena em seus olhos. São meus amigos e sabem da minha condição terrível, daí acho que fizeram esse gesto tão grandioso. Nos dirigimos para Copacabana a conversa em pauta é a de quem comerá cú hoje e coisas desse tipo. Fico corado no canto do carro, nem imagino o que é isso, nunca envolvi carne quente no pênis. Eles zoam com as garotas na rua e elas retribuem. "Princesa!" um deles grita e a menina na rua suspira e manda um beijo pra ele. "Vai Diogo, zoa uma mulher aí na rua. Aquela dali, zoa ela!" ele diz apontando para uma linda rapariga que caminha com uma cesta de compras. Ele diminui a velocidade do carro, coloco o braço e a cabeça pra fora e digo sem nenhuma firmeza na voz "Princesa!". Na mesma hora, a menina me olha com cara de nojo e cospe na minha cara e me manda tomar no cú. Limpo a cusparada que se misturou às lágrimas que brotaram logo a seguir, como se já estivesses esperando o momento certo para sair pelos meus olhos. Ninguém consegue rir de uma cena dessas e, sendo mesu amigos, eles me confortam.

Chegamos na porta boate e devo dizer, vejo mulheres muito bonitas que de putas pagas nada tem. Mas nesse mundo de hoje, quando garotas vendem o corpo para pagar a faculdade, deve-se duvidar de tudo. Noto muitos caras extremamente horríveis de feios com lindas gatas, reparo também, que eles tem uma carteira voluptosa no bolso de trás da calça, com certeza com maços de notas de 50 e 100. Penso comigo "Esses cara extremamente horríveis de feios, são mais bonitos do que eu, eles tem a bunda, literalmente, cheias de dinheiro, o que estou fazendo aqui?!". Notando a minha instabilidade emocional meus amigos chegam com a minha entrada e me carregam para dentro. Vejo lindas garotas dançando, pessoas bonitas que foram abençoadas com corpos perfeitos e mentes sãs. Me sinto muito mal com a felicidade de todo mundo e me deprimo. Aproveito que todos vão ao bar beber e me sento cabisbaixo em uma mesa. Fico olhando para a superfície lisa e bem trabalhada da mesa e penso em como os carpinteiros foram hábeis em trabalhar aquela madeira de forma que ela ficasse assim, tão austera e imponente. A natureza não
trabalhou direito quando me fez. Acho que, quando eu estava sendo feito, a natureza devia estar de mau humor. Vejo na pista de dança os acertos dela e sentado na mesa, sozinho, o seu erro. Coloco a testa na beirada da mesa e jogo os braços por cima da mesma, estou em frangalhos e chorando. Sinto uma mão na minha. Sinto um calafrio na espinha e começo a tremer. Fecho com força os olhos tentando me acalmar. Respiro fundo e levanto. Vejo o garçom a perguntar se estou bem e se quero algo pra beber. Abaixo a cabeça de novo e nem me dou ao trabalho de responder. Choro copiosamente.

A noite vai adentrando e meus amimgos se esquecem do verdadeiro propósito de nossa vinda a esse lugar. Passam-se horas e ali fico, chorando e só. Quando me levanto, uma mão em me ombro me força a sentar de novo. Uma mulher, bonita e bem magra, agora me olha com voracidade, como se quisesse sexo animal o resto da noite. Não dizemos palavras e vou-me com ela. Algumas pessoas me olham como se eu estivesse encaminhando-me para a morte, sinto que elas sabem de algo que não sei, mas foda-se, vou envolver carne quente no pênis hoje e nenhuma cara feia vai me impedir. Ela me leva pra um motel ali perto, digo a ela que não tenho dinheiro, ela me silencia e pega um quarto. Não houve tempo para mais nada, tive a roupa rasgada e a calça arrancada, ficando apenas com a minha linda e perfumada cuequinha. Ela tira a roupa também, sua magreza é bem evidente e concluo que é anoréxica. Noto pequenas manchas em sua pele que me pareciam muito com o sarcoma de kaposi que vi no Tom Hanks em "Filadélfia", mas a penumbra não me permitiu maiores observações. Toda nua, ela avança para cima de mim. me deita na cama e envolve suas pernas na minha cintura e se esfrega em mim. Sai para o lado esquerdo e tira minha linda cueca perfumada. Dá uma sonora risada, daí deduzi algo da sua voz porque, até aquele momento, não tinha dito palavra. Monta em cima de mim e envolve meu pênis com a carne quente e molhada da sua vagina. Nem tive tempo de pensar em camisinha nem nada, só senti uma onda de calor me fustigando, fazendo sair da minha boca, sons guturais involuntários, gemidos. Fizemos sexo selvagem umas 11 vezes na madrugada. No final da última falo "Por favor pare! Eu não aguento mais! Pare por favor!". Ela se senta na beirada da cama e começa a rir, a gargalhar e a me lançar olhares ferozes. Começo também a rir muito. Era incrível que aquilo fosse  verdade. Ela aponta pra mim e diz "Vou levar muitos comigo!". Não entendo nada do que ela quer dizer mas daí, com a luz do dia raiando pela janela, revejo o sarcoma de kaposi em sua pele. Começo então a rir ainda mais alto que ela. Ela não entende nada e ainda me questiona, "Você sabe o que eu tenho não é?". "Sei, sei muito bem. Eu já vi 'Filadélfia'." respondo enquanto
pulo na frente dela. Ela me olha assustada e nem vê a mão que lhe soca o nariz. Ela cai na cama com o nariz sangrando. Vou até o frigobar e pego uma pequena faca e começo a fazer cortes na sua pele. Ela grita e se contorce. Eu me banho com o seu sangue infectado, num copo bebo-o com sofreguidão. Ela fica em estado de completa insensatez. "Que diabos é você?! Por mil demônios! que diabo é você?!?!?!" ela berrava. Catei-a pelos cabelos, puxando-os pra trás até seu pescoço chegar a um ângulo quase reto. Olho bem nos seus olhos, babando de uma repentina fúria e respondo "Eu sou um diabo... com câncer terminal!" e abro uma cavidade em seus pescoço e depois danço frenético em cima de seu corpo ouvindo Culture Club.



Escrito por Diogo Bulldog às 11h40
[ ] [ envie esta mensagem ]


Diogo, Peter e o Acendedor de Cigarros.

Na cama do hospital, tossindo e pigarreando constantemente, Diogo sentia-se em completo estado de perdição e abandono. Já há muito que o câncer tomara todo o seu corpo, causando dores insuportáveis que remédio nenhum amenizava. Todos os dias, desejava morrer, agarrava a enfermeira pelo pulso e implorava pela morte. "Mate-me por favor!" sussurrava. A dor maior no entanto, era o fato de que, nesses últimos dias de vida, nada se lembrava de ter feito pelo mundo, pelas pessoas ou por si mesmo. Se lamentava pelo fato de ter vivido uma vida que não lhe pertencia, preso em um corpo que não era o seu, vivendo em um país que não amava. Vivera de modo obtuso, negligenciando o que estava ao seu redor em reprimenda por ter descoberto tão cedo que, sua vida inteira, seria um enorme desperdício. Não procurou mestres, não estudou direito, não provou da boa comida, do sexo ou dorgas, não viveu... não queria fazer conluio com a mentira. Deprimido, se arrastava pelas vielas da solidão na tentativa vã de acordar do pesadelo que vivia, se livrar da constante sensação de estar no lugar errado. De modo estranho, descobriu
que nos caminhos da vida, só havia lama. Mas ora, ele olhava o mesmo caminho à sua frente e o via seco! Tardou a perceber que eram suas lágrimas que tornavam o caminho tão lamacento, mesmo que à sua frente o caminho fosse bom. Que irônia, almejava alcançar o caminho que, mesmo estando à sua fernte, não conseguia. Era uma metáfora sobre as suas vontades. "Me mate por favor!" ele pedia em vão.

Um dia amou uma pessoa. Era esse sentimento tão grandioso tanto quanto também era inalcançável. Amava a ponto de querer de fato mudar a forma como se comportava, como via o mundo. Olhava sempre para aquela bela mulher, a desejar tocá-la, amá-la acima de todas as outras coisas. Um dia, em devaneios e alucinações, tomou coragem e se aproximou. Começou a falar com ela de modo tímido, parecia estar falando sozinho. Não, ela não dava a mínima antenção pra ele, conversava com outro rapaz muito mais bonito e bem sucedido que ele. Desejando beijá-la ao menos uma vez na vida e levar consigo os gosto da sua boca para os recantos mais obscuros de sua mente, como lembrança de algo bom no meio de toda a escuridão, agarrou-a e beijou. Um beijo vitral e frio, parecia estar com a boca colada a uma parede lisa com uma sensação de eletroestática forte. Caiu no chão ainda a beijá-la. Rolou com ela pelo quarto, ela parecia rejeitar o seu beijo, ou até nem mesmo o estivesse sentindo pois continuava a conversar com o galã. Sentiu então, uma pequena força contrária e tal qual um cabo a se soltar, essa força cessou. Um manto de escuridão e frio assolou o quarto. Diogo ficou no chão mesmo, chorando como nunca antes, abraçado com uma televisão, onde momentos antes, assistia Smallville.

Essa lembramça trouxe dores incontidas para ele no hospital. Começou a berrar, o câncer o fazia sentir-se vivo, como não tinha se sentido em toda a sua apagada e sofrida vida. Morfina, um pouco de paz para o corpo, mas a mente ainda em chamas. Exatamente a parte mais dolorida, nenhum remédio curava. Sedativos.

Acordou um dia debaixo de grossos cobertores e edredons. Um frio dominava o ambiente, o despertador ligou o rádio e podia se ouvir claramente o locutor falando em inglês. De sobressalto ele acorda, tirando os peso dos cobertores e se pondo de pé. Correu para as janelas e viu uma rua nevada, com crianças brincando e carros vagarosos trafegando. Um típico subúrbio americano e, notando as bandeiras nas casas concluiu, estava nos Estados Unidos da América! Colocou sua roupa de frio e saindo na varanda de sua bela casa, pulou de cara na neve. Pegava tufos de grama congelada e terra e os beijava com todo carinho, dizendo enquanto isso, que amava aquele solo. Saiu pela rua, cumprimentando a todos. Não sabia como, mas sabia o nome de todos e todos sabiam o seu nome. Perguntaram se sua esposa estava bem e se a neném tinha nascido com saúde. Pediu a Peter, patriarca da família North, que o levasse ao hospital imediatamente, afim de que pudesse ver esposa e filhinha. Durante a viagem, ficou sabendo que era um executivo bem sucedido, que trabalhava em Wall Street para uma grande firma financeira e que era de fato, um cidadão americano legítimo. Pegou o acendedor de cigarro e, com ele aceso, meteu no braço. Sentiu uma dor enorme e sorriu, talvez a única vez que tenha rido da dor na vida. Peter o deixou em frente ao hospital e se foi. Diogo entrou e se informou sobre onde estava a esposa e a filhinha. Chegou no quarto e viu a cena mais desejada em toda a sua vida, sua linda esposa, a quem amava em demasia, sorrindo pra ele com a pequena Chloe no colo. A pequenina Chloe era linda e estava quietinha pois havia acabado de mamar. Com lágrimas nos olhos ela dizia "Eu o amo! Eu o amo!". Totalmente petrificado, Diogo tenta digerir o que vê. Mora no país que ama, tem a mulher que ama e a filha que ama. Passado o topor, desfalece no chão com a mão no peito. Sua esposa estica a mão que está livre para tentar tocá-lo, como se ele estivesse a sumir. Ele estica também na tentativa de sentir o toque da esposa pelo menos mais uma vez. Ela repete "Eu o amo!" a pequenina Chloe começa a chorar... tudo desaparece.

Em estado crítico, Diogo é levado à sala de emergência. Estava tendo uma parada cárdio-respiratória e os médicos tentavam reverter a situação. Apesar de tudo, Diogo estava meio-consciente e percebeu o que se passava. Não estava mais sonhando, a vida aqui era real. "Malditos sedativos, me trazem sonhos de uma vida perfeita, para depois me jogar nesse pesadelo horroroso e real!" pensava enquanto recebia choques do desfibrilador. Pensava também no porquê de tentarem reviver uma pessoa condenada, que maldade era aquela? Que punição severa estava recebendo da vida?! Já havia desistido de viver desde que nasceu mas a morte parecia não querer levá-lo. Os médicos começaram a gritar desesperados "Estamos perdendo! Estamos perdendo!" e perderam. Diogo foi dado como morto às 20:43hs do dis 29 de fevereiro. Pela leviana e vazia vida que teve, jamais foi lembrado. Mas na vizinhança de uma cidade americana e na vida de uma mulher e sua filha, ele fez falta, e todos choraram pela sua morte.



Escrito por Diogo Bulldog às 14h03
[ ] [ envie esta mensagem ]

 
Meu perfil





BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, BARRA DA TIJUCA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Games e brinquedos, Cinema e vídeo
MSN - nithzael2001@yahoo.com.br



Histórico
09/08/2009 a 15/08/2009
11/11/2007 a 17/11/2007
21/10/2007 a 27/10/2007
14/10/2007 a 20/10/2007
29/07/2007 a 04/08/2007
08/07/2007 a 14/07/2007
01/07/2007 a 07/07/2007
24/06/2007 a 30/06/2007
17/06/2007 a 23/06/2007
10/06/2007 a 16/06/2007
03/06/2007 a 09/06/2007
27/05/2007 a 02/06/2007
19/11/2006 a 25/11/2006
08/10/2006 a 14/10/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
16/07/2006 a 22/07/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
11/06/2006 a 17/06/2006
28/05/2006 a 03/06/2006
14/05/2006 a 20/05/2006
07/05/2006 a 13/05/2006
30/04/2006 a 06/05/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
26/03/2006 a 01/04/2006
19/03/2006 a 25/03/2006
12/03/2006 a 18/03/2006
05/03/2006 a 11/03/2006
26/02/2006 a 04/03/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
12/02/2006 a 18/02/2006
05/02/2006 a 11/02/2006
29/01/2006 a 04/02/2006
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
04/12/2005 a 10/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005
20/11/2005 a 26/11/2005
13/11/2005 a 19/11/2005
06/11/2005 a 12/11/2005
30/10/2005 a 05/11/2005
23/10/2005 a 29/10/2005
31/10/2004 a 06/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
01/08/2004 a 07/08/2004
25/07/2004 a 31/07/2004
18/07/2004 a 24/07/2004
11/07/2004 a 17/07/2004
04/07/2004 a 10/07/2004
27/06/2004 a 03/07/2004




Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Speaknine
 Não Basta Ser Negão, Tem Que Tá Suado!