As histórias da Vida do Menino Mendigo


O ÚLTIMO DRAGÃO!!!!!

O grito de pavor era estridente, ouvia-se do lado de fora de uma pequena casa da periferia. Um grito abafado que denotava vir de um lugar fechado... um quarto talvez. Diogo passava pelo lado de fora e, apesar de ser um surdo fracassado, conseguiu ouvir o grito. "Socorro!" gritava "Socorro por favor! Não quero morrer!". Diogo se dirigiu a uma viela que tinha ao lado da casa e começou a tirar a roupa. Após ficar só de cuequinha, tirou do bolso da calça uma tira de pano branca, a faixinha do Rambo da Paz. Antes de invadir a casa pela viela, que dava no quintal da casa de onde vinham os gritos, se reprimiu por ter esquecido seu uniforme, "Maldito calor!" pensou aflito. Diogo era baixo demais pra pular o muro e por isso, pediu gentilmente para um transeunte dar pé-pé pra ele. Completamente vermelho de vergonha, Diogo consegiu subir no muro, não sem antes ser motivo de piada para o moleque que o ajudara. "Galera! Galera! Tem um filho da puta ali atrás só de cueca e com uma faixa ridícula na cabeça!" saiu o pequenino desgraçado gritando. Esperando pelo pior Diogo tratou de pular direto para o quintal e isso foi erro grosseiro. Um pit-bull de grande porte avançou nele e cravou os dentes no seu braço. Para tentar se salvar, Diogo gritou por socorro como uma bicha de esquina. A porta do barraco se abriu na hora e um puta de um Negão muito forte, segurou as mandíbulas do cachorro e as abriu sem o menor esforço... depois pegou-o pelo pescoço e o isolou dizendo "Sai pra lá Porra!" e voltando-se para o assustado pseudo-herói, aponta-lhe uma arma. Sem dignidade nenhuma e sem ligar para a honra ferida, Diogo clama por sua vida gritando palavras antigas de um mestre "Por favor não me mate! Por favor não me estupre!". O cachorro não parava de latir e seu truculento dono não parava de berrar "Cala a boca Porra!", "Vai pra casa Porra!" e o malfadado pensando em como esse cara gostava da palavra porra. Mas logo percebeu o nome Porra na casa do cachorro e teve tempo para ponderar no meio daquele pandemônio "Hmmmmmm... um cachorro chamado Porra! Interess...." coronhada na cabeça e desmaio.

Diogo começou a ter sonhos sinistros enquanto desmaiado. Sonhava que estava comendo o Ronaldinho Gaúcho, só que não era ele, mas sim uma mulher idêntica e ao seu lado, enfiando as tetas na sua cara a Marlene Mattos do Pânico, que Diogo achou que era o perpétuo Desespero. Olhava à sua volta e podia ver uma platéia aplaudindo, em uníssono ouvia-se "FracassaDÔ! FracassaDÔ! FracassaDÔ!". Aquilo era um teste e Diogo via simbolos nazistas para todos os lados, era parte de um experimento para que a Alemanha ganhasse a Guerra. "Que clichê!" pensou. No fim, tudo desmoronava, a Grande Águia caia do céu e a suástica queimava no alto da montanha. Acordou! Esse pesadelo fez com que se sentisse um verdadeiro herói.... tinha descoberto o seu poder!!!!

Estava algemado a alguém, a menina que antes gritava agora estava em um silêncio mórbido. Pensando e pensando, tentou canalizar o seu recém descoberto poder para livrar os dois daquela situação, mas fracassou. Diogo estava ficando louco com Porra latindo do lado de fora e com o Bruto que o tinha feito cativo. Ele e outros comparsas conversavam sobre estuprar a menina e deixar que Porra acabasse com o pseudo-herói. "Nenhum Porra vai acabar comigo!" pensou feroz! A porta se abre de repente e Diogo olha com muito ódio para o Bruto, este cai no chão e sua arma sai disparando a esmo. Ao cair, Bruto bateu com o nariz em cheio no chão e desmaiou, o resto do bando morreu com os tiros disparados da arma dele e lá fora, Porra se engasgava com um osso. A menina começa a acordar assim que Diogo Brasileiro retira suas algemas... ele fica maravilhado com a sua beleza e se apaixona perdidamente. Ela está fraca e frágil e diz que precisa tomar seu remédio pois tem problemas de coração e está prestes a morrer. O nosso pseudo-herói cai no choro e grita "É NOOOOOOOOO!!!! É NOOOOOOOOO!!!!" enquanto se ajoelha no chão com ela nos braços. É quando chega Jack Rubinho para nos ajudar. Ele quebra a parede que dá para frente da casa e sai carregando a menina nos braços... a imprensa está toda lá fora. Todos o saúdam e cantam em sua honra. Diogo sai todo esfolado de dentro do barraca e as pessoas jogam tomates e entulhos nele, o culpando por tudo aquilo. "Ela precisa de um médico... rápido! Ela pode morrer!" disse o sujo pseudo-herói apenas com uma cueca suja. Jack Rubinho acente com a cabeça e sai voando. Diogo continua sendo chacotado e culpado por tudo aquilo, uma repórter cospe nele e diz que a culpa pelo Brasil estar uma merda é dele e não do Lula. Ele vai cabisbaixo e choroso pelos cantos da favela e por onde ele passa, as pessoas se dão mal e fracassam. Um homem brochou com a esposa, um garoto se feriu com a arma do pai, uma mulher furou o dedo enquanto custurava... e Diogo ia passando pelas ruas.

Mais calmo, Diogo foi para o hospital mais próximo e lá estava Jack Rubinho, todo limpinho e cheiroso com seu uniforme impecável, contrastando com o pobrezinho que estava apenas de cueca suja e com a faixinha do Rambo da Paz na cabeça. "Como ela está, o Grande Amor da Minha Vida!?" perguntou aflito o Menino Mendigo. "Mal cara! Muito mal! Acho que vai morrer!" responde o verdadeiro herói com sua voz de Cid Moreira. Diogo Brasileiro sai correndo e, descobrindo onde a menina estava, invadiu o seu quarto. O médico se espantou quando viu aquela figura desumana entrando de repente e saiu correndo. Tudo estava calmo e Diogo contemplou a beleza do amor de sua vida e chorou baixinho pois ela parecia morta. Pegou-a pelos braços e a abraçou. Seu corpo ainda estava quente. No quarto, de sobressalto entraram diversas pessoas entre mádicos, enfermeiros, repórteres, um segurança e Jack Rubinho, este último, louco por publicidade grátis. Com medo do que poderia fazer o maltrapilho, tipo, sodomizar a corpo e essas coisas feias, ficaram imóveis esperando algum movimento suspeito. Era a chance do pobre Menino de ser um herói... pensou bem e sem perder tempo mentalizou e concentrou todo o seu poder em um único ponto e quando atingiu um grau máximo de concentração, olhou para o teto do quarto e gritou "ÚLTIMO DRAGÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!!!"... viu estrelas e alçou vôo e após um tempo, podia ver a Terra lá embaixo. No mundo real, caiu no chão desacordado, nada mais aconteceu. Todos pensaram o porquê de um maluco gritar aquilo e desmaiar. Mas se espantaram ao ver a menina se levantar e dizer oi pra todo mundo... O pobre menino tinha feito a própria Morte fracassar.



Escrito por Diogo Bulldog às 10h53
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