Woodlander
Após um declaração sincera, a polícia deixa a multidão passar pelo cordão de isolamento e ir em direção ao débil Diogo para massacrá-lo sem piedade pelo que tinha feito. Gritos e acusações eram disparados contra ele de forma cruel e sem piedade e foi sem esta última que o lincharam.
Era notório que, desde pequenino, Diogo tinha um distúrbio muito sério. Tinha ido a todos os especialistas. Psicólogos, psicanalistas, neurologistas e pais-de-santo, mas ninguém descobria o que o puto tinha. Quando nasceu, já perceberam que ele não era normal. Um dia, o acharam caído fora do berço, completamente desmaiado. O lençolzinho mal amarrado no pescoço e Superman-O Filme passando na tv. Ninguém entendera o porquê daquilo. Sempre chorava quando ia cortar o cabelo e por isso, seus pais acharam melhor deixar o cabelinho do menininho crescer. Chegando aos ombros, ele surtou, sempre era encontrado arranhado, só de sunga, com uma tiara de couro da mãe nos cabelos e com uma faca de churrasco na mão. O menino acabara de aprender a falar "mama" e "papa", mas também sabia falar "Crom" e "Valéria". Alguns anos depois, anos esses sem maiores incidentes, Diogo se automutilou fazendo um buraco no queixo e sangrando, dançava sem parar aos primeiros versos de uma música... "I solve my problems and I see the light / We gotta plug and think, we gotta feed it right"...Seu pai chega em casa e ao ouvir isso começou a chorar. Diogo estava fantasiado de John Travolta e dançava o musical Grease. "O queixo!" pensou o pai aos prantos. Resolveu interná-lo.
Assim, dos 10 até os 25 anos, Diogo ficou internado em uma clínica. Recebeu remédios pesadíssimos que o faziam dormir por dias e até meses. Sempre que apontava para fora dos muros e murmurava "Minha casa." recebia tratamento de choque e era espancado. Sua família o visitava regularmente e se preocupavam cada vez mais com ele, a internação não estava dando muito certo. "Meu filho, tudo bem?" perguntava a mãe, "Como está aí dentro?" perguntava o pai. Diogo, todo deformado devido aos espancamentos e os choques que levava na cabeça e nos mamilos, olhava pasmo pra os dois, intrigado pela imbecilidade da pergunta, mas sempre respondia "O Horror... o horror!" e apontava para o lado de fora e falava "Minha casa." e era severamente espancado novamente. Ninguém lá dentro era seu amigo, todos os loucos o achavam maluco e ele ficava intrigado pelos loucos. Armava grandiosas cenas de filmes no pátio da clínica, tudo de modo inocente. Incrível era perceber que os médicos não sabiam ainda qual era a doença mental do Diogo e continuavam deixando ele ver televisão. Um dia acharam um negão com a cara arrebentada no meio fio que circundava o pátio e Diogo foi chamado na sala do diretor. "Foi você que matou o coitado do faxineiro?" berrou o diretor. O débil mental ficou muito puto com o tom do diretor e devolveu outra pergunta pra ele "Você é judeu?". O diretor abismado com a pergunta, responde que sim. O réu, condenando a si mesmo, puxa a camisa até abaixo do peito e aponta para uma suástica pintada com canetinha preta e diz "Então você não é bem-vindo aqui!" e bate na mesa. Vendo a perplexidade e a morosidade de todos, Diogo exige uma ação enérgica para que a cena fique bonita, assim sendo, aponta para o horizonte e diz "Minha casa!" e é, desta vez, mais severamente espancado e mais eletrocutado ainda do que nunca fora antes. Preso na solitária durante quase um ano, ele se aproveita da sua aparência de zumbi e sai mordendo a cabeça de todo mundo assim que é solto, se movimentando como os zumbis dos filmes de George Romero. Sem saber o que fazer para curar o pobrezinho, resolvem induzi-lo ao coma. Diogo tinha 18 aninhos nessa época.
No seu aniversário de 25 anos, compraram um bolinho e velhinhas sortidas. O tema da festinha era "O Silêncio dos Inocentes" e deram para o pobrezinho, uma fantasia do Hannibal Lecter quando aprisionado numa maca e com aquela máscara hedionda, como se fosse uma fossinheira para que ele não mordesse ninguém. Ainda zonzo porque o haviam acordado apenas 2 horas antes da festa, isso depois de 7 anos em coma forçado, Diogo tentava se lembrar de todos ali. Muitos ele conhecia, mas estavam velhos, outros ele desconhecia por completo. Seus pais então, tinham ficado bem velhinhos e enrugados. Quando estes foram falar com o aprisionado rapaz ele falou de modo pausado e gaguejante "Co-co...Cocoon" e eles choraram. Vendo a calma com que Diogo se comportava, resolveram soltá-lo e viram que ele estava são da mente. "Como se sente hoje Diogo?" perguntou o médico animado. Olhando para o médico com amor ele respondeu "Estou muito bem doutor, estou curado." Doidos para mandar Diogo embora dali, os médicos deram alta para ele e todos comemoraram. No mundo lá fora, tudo era diferente.
Algumas semanas depois, lá estava Diogo sentado num bonito e verdejante parque. Estava frio e ele vestia uma camisa branca com outra azul marinho por cima, cobrindo estas uma camisa de botão de manga comprida de flanela xadrês e por último um moleton, com capuz para tráz, azul escuro. A calça jeans também azul combinava com o resto do conjunto... o sapato estava um pouco surrado. Uma linda garota senta ao seu lado. Ele estremece e pergunta "Você gostaria de sentar no meu colo?". A menina levanta, manda ele tomar no cu e sai correndo. Diogo olha para o horizonte e contempla o pôr do sol. Um cheiro forte de torresmo ou algo parecido toma conta do seu olfato. Ele olha pro lado e vê um menino comendo o objeto que exala o cheiro. "Oi, tudo bom? Qual o seu nome rapazinho?" Diogo pergunta. "Kevin." responde o menininho. "O que você está comendo Kevin?" , "Bacon." responde. Diogo começa a ter espasmos violentos e sua mente fica nublada, mas pôde perceber quando sua mão começa a esmagar o esôfago da criança que tenta gritar mas não consegue. A criança cai sem vida no chão, com espasmódicos movimentos. Uma dupla de policiais que passava no momento espanca Diogo e pede reforço. A multidão começa a se aglomerar e uma viatura rapidamente chega ao local. A multidão já sendenta de sangue, via o corpinho do menino caído no chão. "Eu adoraria comer o fígado macio do Kevin." Diogo fala cheirando o ar e mostrando os dentes como o Hannibal do seu aniversário. A polícia que fazia o cordão de isolamento, resolve deixar a multidão dar cabo do maluco. Enquanto era linchado pela multidão Diogo gritava "Só pode haver um Lenhador! Só pode haver um Lenhador!"...
Escrito por Diogo Bulldog às 02h11
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Flashfoward
Na frente da TV desligada, eu amargava o cheiro podre da imundíce do meu apartamento. Deprimido como estava, pensava na melhor maneira de tirar a minha vida. A pouco tinha visto um fime onde um garoto se mata enfiando o carro numa árvore e achei muito foda. Morrer assim é, além de cinematográfico, dramático, violento e gore. Decidi, é assim que vou morrer. Naquela manhã me ligou uma mulher , "De onde fala?" ela perguntou com ar autoritário . Eu, idiota, respondi "É o Diogo que está falando.". "Perguntei de onde fala, não quem está falando!" ela retrucou com um leve toque de fúria. Fiquei estarrecido e puto e mandei ela tomar no cu, desligando o telefone com tanta força que quebrei o aparelho... "Preciso morrer." pensei. Logo após esse fato vexaminoso, me dirijo ao mercado pensando no caminho que a porra da mulher tinha razão, apenas um idiota responde uma pergunta tão simples de forma errada. Faço uma polpuda compra e na fila, penso no porquê de comprar aquilo tudo já que tinha decidido morrer. Não adiantou nada, quando a caixa passou o cartão de débito, foi me revelado que eu não tinha dinheiro o suficiente e as pessoas que me cercavam me olhavam com severidade deixando transparente o ódio que sentiam de mim. "De onde fala... quem está falando." minha cabeça parece uma colcha de retalhos estranhos, recortes de jornal, revistinhas em quadrinho e papel higiênico. Na frente da TV desligada onde a pouco vi um filme revelador. Deço para a rua e roubo um carro.
Roubei um Palio vinho de uma recém-formada em Direito que tinha uma voz parecida com a da piranha que me ligou de manhã. Antes de sair com o carro, mandei ela tomar no cu e ela olhou pra mim como se me reconhecesse. Cuspi nela e fui em direção a uma movimentada avenida para me matar de forma brutal. O que mais me deixava feliz, nem era o fato de que eu ia finalmente morrer com dignidade, mas o fato de saber que o carro dela não tinha seguro. "Mas como você sabe que não tem seguro?" você me pergunta. Ora bolas porra, uma mulher recém-formada, além de ser mulher, não tem dinheiro e nem inteligência pra fazer o seguro de um carro. Vou dando risadas enquanto penso nisso. Vejo na avenida robusta e frondosa árvore que será o meu túmulo e o objeto secundário da minha morte. Na hierarquia desse evento teremos eu como o ator principal, o carro roubado da recém-formada idiota como ator coadjuvante, a árvore como atriz coadjuvante e a vida como a vilã. Logicamente teremos inúmeros figurantes. Acelero o máximo que o carro aguenta e vou de encontro à folhosa. O carro bate violentamente e eu, sem cinto, sou projetado para frente enquanto o motor e as ferragens são projetados pra trás.
Engana-se quem achou que tudo foi muito rápido. Diz a lenda muito antiga de que vemos a nossa vida passar diante de nossos olhos numa situação dessas. Sabe-se lá porque, ou de onde veio a idéia, comigo ocorreu exatamente o contrário. Não vi o filme da vida que tive, mas da vida que teria se tivesse resolvido viver.
A Grande Nação Americana era bombardeada pelo Irã e por forças extremistas. Cidades inteiras deixaram de existir e o país se desfez em ruínas. Nenhum país aliado ajudou a Grande Nação. O Lula era reeleito e implementava um regime totalitarista igual ao seu amigo Hugo Cháves, governando por anos e anos. A mulher da minha vida se casou com meu maior inimigo e ela sempre dizia que o amava, tiveram duas lindas filhas, Dana e Chloe (exatamente o nome que eu iria botar nas minhas filhas se eu as tivesse) e eram felizes. Eu continuaria desempregado o resto da vida, sendo desprezado por todos, um motivo de chacota pelo extremo estado de podridão em que eu vivia. Receberia ainda duas ligações iguais as quem me fizeram querer morrer, todas da mesma pessoa, uma advogada que viria a ficar rica e cheia da grana. Os carros dela não precisavam de seguro mais, não porque ela era mulher e burra, mas porque tinha dinheiro pra comprar outro novinho. Todas as pessoas que conheci, se tornaram pessoas bem sucedidas e nem mesmo elas que me conheciam, me deram emprego. Minha família, com vergonha de mim, me renegou de forma veemente e quando fui despejado me negaram abrigo. Me viciei em drogas pesadas e sentia dores todos os dias. Perdi as penas porque era diabético e não sabia. Uma sucessão de internações no hospital para obter comida, virei um mendigão mundial, um pedinte pelo mundo. Morro em total estado de abandono, o mendigão maluco da cidade.
A projeção acaba e uma voz vem falar comigo "E aí?" me pergunta de forma imbecil. "Para logo com essa merda e enfia logo as ferragens no meu corpo porra! Vê se eu ia querer uma vida de merda assim." e a vida continua. As ferragens entram com fúria no meu corpo que, projetado pra frente, ajuda a agravar ainda mais os danos. Apesar da violência do choque, não me desgarro do corpo e entro em desespero. Um lapso enorme de tempo se passa depois de tudo aquilo e eu estou na cama de um hospital, tetraplégico. "Que merda!" penso, já que nem falar consigo. "Se você acredita em destino, pisque uma vez. Se não, duas." tem uma porra de uma entidade dentro do quarto, a mesma voz de antes. Pisco duas vezes. "Deveria acreditar. O destino vem pro um caminho apenas, mas à sua frente, a muitos em que pode seguir." Fecho os olhos e começo a chorar.
Escrito por Diogo Bulldog às 01h13
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