Na pequena vila do bosque, ouvia-se uma lenda muito antiga sobre um pobre rapaz. Dizia essa lenda que sua mãe, uma bruxa linda de morrer e um Lich tinham, em conluio pestilento, dado luz a um menino muito do desgraçado. Quando nasceu o menino, diziam que a mãe havia dado a treva e não a luz. O pobre menininho era tão feinho que a mãe o abandonou na porta da igreja cujo o padre enviou para a vila dos leprosos no alto da montanha... os leprosos o jogaram no rio com duas boinhas de braço. Descendo o rio o torturado e rejeitado foi adotado por uma velhinha e enjaulado com outras duas crianças. Muito bebezinho que era, não entendeu bulhufas quando o rapaz estendeu para a velha um pedacinho de osso e, assim que foi aberta a jaula, em rápido movimento jogaram a velha num grande forno. "Venha Maria, deixe esse menino desgraçado pra lá!" disse o rapaz. "Estou com dó dele João, mas creio que você tem razão, ele é mais feio que um ogro." respondeu a menina saindo de perto do pestilento. "Ele é praticamente um Dois Ogros!" completou o rapaz... e dali saíram deixando o pequeno Dois Ogros a balbuciar o que ele achava ser o seu nome. João e Maria tinham deixado a jaula aberta e Dois Ogros pôde então engatinhar para fora da casa, não sem antes tirar a velha do forno e saciar sua fome com a pele seca da velha que estava igual a baconzitos. O mundo lá fora era de um terror total na visão do pequenino mendinguinho. Eram porcos que contruiam casas, lobos que destruiam casas enquanto comia vovozinhas de crianças indefezas, eram bruxas malvadas e maçãs enfeitiçadas, isso o fez lembrar de uma passagem do filme Apocalipse Now quando coronel Kurtz fala sobre as coisas que viu na guerra... O horror! Dois Ogros não comeu maçã enfeitiçada, não construiu e nem derrubou casas, mas havia comido uma velhinha e isso o tornou uma pessoa deprimida.
O defenestrado menino engatinhou até a beira de um enorme precipício onde diziam que, quem lá caísse demorava 1000 anos pra atingir o chão. Sem hesitar um segundo, pulou sorridente. A parada não era tão funda assim e Dois Ogros não morreu, mas ficou estatelado no chão a xingar e reclamar. A forma cônica com que o enorme buraco se projetava pra cima, aumentava o volume de suas lamúrias e quando uma caravana por lá passou, achou se tratar de um deus furioso. Trataram de jogar comidas, vinhos e doces no buraco. Com fome, o pequenino ainda neném, começou a comer. Mas como que, primeiro, ele falava se era neném? E como tinha dentes para comer? As pessoas me perguntavam isso na rua e eu, sem resposta quase sempre me atirava debaixo do trem, do ônibus ou de um carro, mas nunca morria e por isso as pessaos continuavam a perguntar. Mas... o menino foi crescendo e comendo, ficando forte, muito forte e muito burro também. Passaram-se anos e a quantidade de pessoas que iam até o buraco para aplacar o deus que ali vivia era enorme. Ele estava entediado até o dia que jogaram uma virgem pra ele que, sem saber o que fazer, comeu a menina. "E aí, comeu?" perguntou o pastor. "Sim, comi, estava muito gostosa." respondeu o pseudo-deus e jogou os ossos de volta. Ele ouviu então um uníssono "NOOOOOOOOOO!!!! Que burro!" e como deuses não são burros as peregrinações acabaram.
Sentindo fome e sede, Dois Ogros escalou o paredão e saiu para o mundo que abandonara a tantos anos e viu que nada tinha mudado. Resolveu então encarar aquela realidade de frente e colocar ordem nas coisas. Passou outros tantos anos caçando as personagens de contos de fada. Morreram a Bruxa Malvada, Branca de Neve, os anões foram esquartejados, a Bela Adormecida estuprada e estrangulada enquanto dormia... os 3 porquinhos viraram um suculento churrasco e o Lobo Mau foi bicado até a morte... apenas pessoas normais viveriam no mundo do tirano Dois Ogros. Um dia porém, seu reino de tirania, dor, desespero e autoritarismo foi colocado a prova quando a pequena Alice apareceu. Pensando estar no país das Maravilhas, Alice foi conhecer o Tirano e se apaixonou por ele. Fazia já algum tempo que Dois Ogros não estuprava nenhuma mulher, até porque ele estuprou e matou todas as mulheres do reino, velhas, crianças e até recém-nascidas. Não tinha mais mulher no mundo... com a visão turva pela presença de carne fresca e apaixonada, Dois Ogros a estuprou e casou-se com ela logo depois, não a matou. Ele gostava muito dela, mas achava Alice um nome que podia gerar piadas do povo do tipo "Alice Pic-Nic!" ou "Seja chique, imite a Alice!" então resolveu chamá-la de Chloe, porque ele não achava nenhuma piada que se encaixasse nesse nome. Como vingaça plena ela passou a chamá-lo de Diogo e ainda explicava que Di, significava o número 2 e que antigamente os ogros eram chamados de ogos e a junção de Dois Ogros daria então Diogo. Assassinou ela brutalmente logo depois disso mesmo sabendo que ela estava grávida de Allison, um lindo nenêzinho que nunca nasceu.
Pelo assassinato da rainha, Diogo, como era detestavelmente chamado agora, foi preso e dentro de uma sala que mais parecia um consultório de psiquiatras foi perguntado tal qual Sílvio Santos "Você tem certeza disso?". A resposta foi um sonoro e confiante "SIIIIIMMMMMM!!!" isso com ele dentro de uma cabine, vendado e com fone grande nos ouvidos que ele apertava para ouvir melhor. "Você acabou de trocar uma vida no mundo lá fora por uma perpétua estada no hospício! Brutamontes Especializados, podem levá-lo. E assim Diogo viveu o resto de sua vida miserável num hospício sujo e decadente na Zona Oeste do Rio.