Eu estava no alto da montanha. A pequena pausa no ambiente de trabalho me pedia para que eu fosse até as montanhas e na beira do lago me colocasse a pescar. O carro parado logo atrás de mim e quando mordida é a isca penso em minha vida perfeita... trabalho, promoção, dinheiro e poder mas ninguém para amar. As chuvas de abril tinham cessado e era engraçado pois naquele momento, em que esse pensamento me veio a mente, tocava "Soft Rains of April" do A-Ha no rádio. Ela surge então como um exército marchando sobre mim, me sinto vítima de Charlton Heston na corrida de bigas em "Ben-Hur"... me vejo como um lutador coadjuvante da WWF a enfrentar a fúria de 1,2,3 Kid e suas voadoras mortais. Talvez, penso, mais forte do que isso tudo foi o efeito dela sobre mim. Já não me importava com o peixe no anzol e nem com as chuvas de abril, minha vida ali desfeita simplemente por ela que saindo da água, me leva ao desejo mórbido de morrer de tão insignificante.
Tomado por um feitiço inexplicável, paro na sua frente e digo, completamente desesperado e chorando, "Eu te amo!"... ela chora também e retribui beijando minha boca com sofreguidão, sorvendo cada respiração e apertando meu corpo. Jamais em toda a minha vida tinha sido tão completo, a reciprocidade imediata que tivemos em relação a nossos sentimentos me fez temer pela minha vida, pois quanto mais feliz mais era a vontade de me matar de forma espetacular. Eu balbucio meu nome, era uma tarde de terça e não uma manhã de domingo mas balbuciei. Ela apenas me olha e eu digo "Allison!" e ela sorri, sorte que não tinha nenhuma linha de trem por perto, sorte não estármos no alto de um prédio, eu não tinha nehuma arma ali. Deitamos na grama verde e coesos amalgamamos nossos seres e ela sempre me impedindo de que o sexo descambasse para um estupro de violência sem igual. Ela fazia amor comigo e eu a fodia com vontade de que ela estivesse fria e com a cara descarnada, o ventre aberto para que eu observasse seus orgãos com os movimentos sexuais que fazíamos. Inteira, ainda assim, ela era tudo pra mim. No clímax daquele sexo tradicional, ela me abraça e me acaricia com ternura, eu soluço dizendo mais uma vez que a amo. Jamais em toda a minha vida, tinha conseguido comer uma mulher sem requintes de crueldade e violência brutal.
Passado todo o êxtase inicial tudo virou um pesadelo dantesco, eu a amava mais e mais e durante anos, quando as chuvas de abril cessavam eu me perdia com estupros e necrofilia pela cidade. O fim de abril era um mês negro para mim, eu a amava demais e medo eu tinha de espancá-la até a morte, mesmo sabendo que eu poderia enfim comê-la fria, poderia então arrancar a sua cabeça e colocá-la na penteadeira com os olhos abertos vendo seu grande amor transando com ela morta. Amor, destruidor de vontades limítrofes da consciência humana, tolhedor de desejos imorais, quando apenas a dor e o desespero estampado na face da mulher amada traz o gozo. Decidido a me purificar de todos e de tudo, pedi-a em casamento. Aceitando com muita felicidade, ela se tornou cristã e se batizou para poder casar. Eu não sabia, mas descobri que ela fazia parte de uma seita de mulheres que gostavam de ser violentadas, isso me enfureceu. Mas mais uma vez o amor, flagelos dos homens como Ares, me calou.
Na igreja, apinhada de parentes e amigos, diante do padre ela me recusou 3 vezes. Procurando explicação olho pra ela com reprovação. "Há outro nessa igreja que agora amo mais do que você!" ela diz calma. Fiquei extremamente espantado e sacando uma das enormes 9mm que carregava comigo pergunto quem é. Ela diz que é alguém que está naquela igreja. Mato primeiro meus melhores amigos e os melhores amigos dela. "Ele ainda aqui se encontra?" e diante da afirmação, mato todos os meus parentes homens e os homens parentes dela. Pergunto novamente e da afirmação entro em frenezi descontrolado e saio matando e estuprando, uma carnificina digna de filmes de terror B dos anos 80. Uma mulher tenta se salvar jogando em cima de mim, um bebê que, petrificado de horror, parecia um boneco. Mais do que nunca se parecia com filme B o que ocorria, pois todos nós sabemos que alguém da produção de "Bebê Maldito" jogou um boneco em forma de bebê pelo buraco do sotão em cima da protagonista. Mas ali, na vida real, eu esmigalhei a cabeça da criança com um murro que deformando a sua moleira, fez com que ela caísse no chão com uma tremedeira espasmódica extremada. A mulher que jogou o neném foi poupada, pois "Bebê Maldito" é um grande filme. Após matar, estuprar, desvirginar, esquartejar, praticar necrofilia e espancar e sangrar crianças e coroinhas, biquei até a morte a linda dama-de-honra porque ela me lembrava muito as coisas doces da vida. Allison ainda no altar e eu pergunto "Ainda está aqui aquele que amas?", mesmo que todos já tivessem sido mortos e desmembrados. Ela não responde e eu repito a pergunta com alguma ressalva a mais "Está aqui Allison aquele que você agora ama? Todos estão mortos e seus corpos se misturam uns aos outros, impossibilitando que você me aponte esse ou aquele... me diga apenas quem é!". Ela olha para mim e diz calma "O que amo já morreu e através dele todos os homens se livraram do pecado." e olha para a enorme cruz que se encontrava atrás do altar. Começo a me esquatejar e a jogar meus pedaços pela igreja. Quando falta apenas o braço direito, peço para Allison com lágrimas nos olhos que termine meu demembramento e que, me picando em pequenos pedaços, me misture com os resto dos corpos que a alguns minutos atrás esquartejei com fervor. Assim, pensei, poderia eu não salvar todos os homens de seus pecados, mas salvá-la de todo o meu ódio por amá-la demais.