What if...
Quando um pequenino menino estava saindo do ventre de sua mãe, um novo destino estava sendo escrito. O fato dele nascer e existir, faria com que ele encontrasse pessoas, tomasse decisões e deixar seu legado. Os médicos tentavam entender o porquê de ele ter nascido com o cordão umbilical enrolado no pescoço, sendo que a mãe não havia relatado nenhum evento que levasse a isso... era como se o bebê tivesse tentado se matar dentro da barriga. Isso não era natural. Depois de algumas tentativas de fazer o emplacentado menino chorar, veio o sucesso e ele chorou por 2 dias e por isso ficou na solitária dos bebês que choram demais. Porém, no dia em que foi pro berçário normal, ele recebeu uma estranha visita. "Olá Diogo, estou aqui pra te dizer uma coisa. Seu pai estará filmando e você roubará o boneco do Superman novinho do seu irmão e baterá na cabeça dele como vingança por ele ter roubado o seu velho e puído Homem-Aranha. Ele te empurrará e você baterá com a cabeça na porta e vai desmaiar... todos darão atenção ao seu irmão, preocupados com a bonecada que você deu nele. Em hipótese alguma, faça isso. Você ficará traumatizado e será uma pessoa difícil de lidar no futuro." Diogo apenas sorriu e pegou no dedo do estranho. Anos mais tarde, Diogo fez tudo o que o homem estranho tinha falado pra ele não fazer, mas como era recém-nascido, ele não tinha entendido nada. Toda a cena foi filmada e Diogo se tornou uma criança deprimida e amarga ainda que fosse um verdadeiro palhaço.
Quando ele tinha 9 aninhos, foi participar dos jogos interclasse do colégio. Roqueiro que era já com essa idade, queria um nome bem legal para seu time, nomes de bandas tipo "Carcass" ou então "Canibal Corpse", mas a turma preferiu chamar o time de "Energia". Diogo tinha vergonha disso. Como não era bom em nenhum esporte, na verdade ele não era bom em nada, colocaram ele na reserva do reserva do time de futebol. A improbabilidade dele jogar assim seria grande. No dia do jogo, a grande final, um homem estranho aparece e ele parece um pouco aborrecido. "Você vai entrar no jogo e este se encontrará empatado, no último minuto a bola vai sobrar pra você e você vai estar de frente pro gol sozinho e..." dá uma pausa como a se lamentar "vai chutar o chão e perder o gol, ainda machucará o pé e seu time, numa contra-ataque rápido, perderá o jogo. Você será eternamente tachado como o culpado e ninguém vai querer ser seu amigo e nenhuma menina da escola vai gostar de você." Diogo olhou bem pro homem achou-o bem familiar. No último minuto, a bola sobra para Diogo e este sedento de glória enche o pé. O chão da quadra era duro e seu dedo quase se quebrou. Caído no chão, ele olha o time adversário roubar a bola e fazer o gol da vitória. Pode ouvir seus amigos o culpando, os pais dos amigos também... seu pai com a filmadora na mão se lamenta, sua família com ele. Diogo no chão, ainda menino, desejando morrer de forma brutal.
Com 18 anos, lá está Diogo no exército como atirador de 2a. Categoria fazendo guarda no Lazaredo em plena madrugada. Já meio bêbado de pinga, ele se senta na escada e apóia a cabeça na linha de tiro da arma. Seria muito bom explodir aqueles miolos podres. Ele vê alguns relâmpagos do nada e logo depois, um estranho homem se revela e ele está com cara de poucos amigos. Se aproxima do Diogo e diz "Você vai conhecer uma garota muito especial, ela será tudo na sua vida e você a amará acima de todas as outras coisas desse universo. Mas como você é bitolado por ter feito merdas durante a vida e se tornado uma pessoa paranóica e egoísta, você vai terminar com ela e vai se lamentar e sofrer o resto da vida. Eu te imploro... jamais faça isso." Diogo, antes do cara se virar consegue dizer "Hey, eu te conheço?". O homem se vira e diz "Não, mas eu te conheço muito bem seu filho da puta. Não estrague tudo dessa vez." Diogo a conheceu e a amou acima de todas as outras coisas. Foram anos e anos felizes que acabaram quando ele, paranóico e egoísta, por tudo a perder. Muito tempo depois, quando tudo estava perdido, ele não conseguia se perdoar, pois amando-a ainda hoje, mais do que nunca antes, ele não podia tê-la. Dali em diante se tornou ainda mais depressivo, mal-humorado, mais egoísta e desesperado. Agora com 27 anos, não possuia nada, sem emprego, sem amor próprio e sem rumo... tudo era dor.
Sem rumo na vida e já com seus 32 anos, usuário de drogas pesadas e sem o amor da família nem dos amigos, Diogo recebe uma proposta de ir para os EUA. Para isso deveria largar as drogas e se reconsiliar com as pessoas, perdoar os desafetos e dizer palavras de amor e carinho para aqueles que ele de fato eram caros em seu coração. Assim o fez Diogo, vendo nessa oportunidade um modo de fazer sua vida ter sentido. Na praia, num fim de dia maravilhoso, um estranho homem se aproxima dele. Ele está furioso e baba sem parar... assim diz "Seu desgraçado, todas as suas decisões levaram a uma ecatombe sem precedentes. Sua vida na Terra se tornou um desastre." Diogo fica pálido ao reconhecer-se no homem estranho. "Puta que me pariu! Você sou eu?" pergunta atônito. "Sim, eu sou o você do futuro e desde que nós nascemos eu te alerto sobre as decisões que fariam da nossa vida uma coisa melhor. Eu poderia ter um relacionamento bom com a minha família, eu poderia ter vários amigos..." e chorando copiosamente diz "eu poderia ter ela e minhas filhas se você não tivesse errado tanto." Diogo entra em choque e belisca o Diogo do Futuro pra ver se ele do presente vai sentir dor... nada acontece. O do futuro então fala "Tudo está acabado, o mundo está todo destruído porque você não fez as mudanças necessárias. Você não vai para os EUA, porque o avião vai cair e se ficar morrerá no esquecimento e sofrerá eternamente. Todas essas decisões erradas resultaram em um mundo apocalíptico e a culpa é sua seu idiota. As pessoas morrem de fome, falta água e as economias quebraram, há guerra civil em todos os cantos e o homem está quase extinto. Sinto muito, mas nossa vida termina aqui." e tira um sabre de luz do cinto. Diogo do Futuro desaparece.
No passado, o sabre de luz é usado no pai e na mãe de Diogo logo após eles terem dado a luz ao irmão mais velho. O sabre era na verdade uma máquina da infertilidade e assim os 2 não puderam ter mais filhos. Diogo do Futuro, num ato heróico, tinha projetado aquela máquina para mudar o mundo. No momento em que eram infertilizados Diogo do Futuro sorriu e disse a eles... "eu os amo." e sumiu para todo o sempre.
No futuro, a humanidade prospera, há luz, amor e paz no mundo. O homem encontra seu ponto de equilíbrio com a natureza e Jesus volta de novo na Terra junto com Maomé e Buda. Todos se dão as mãos como irmãos e se abraçam. Ninguém se lembrava daquele menino que um dia nasceu com problemas e, por não saber lidar com eles, sucumbiu diante da loucura. Seus pais amaram seu único filho, o time da escola ganhou o campeonato... sua amada teve um casamento feliz e teve duas filhas de nomes Dana e Chloe. Os EUA cresceram mais do que nunca. Mas seus pais choravam a noite quando sonhavam com outro filho que amava muito eles e que apesar de tudo o que passava, era um bom menino. Apesar de ganhar o campeonato, a comemoração do time do colégio foi fria, pois faltava alguém com senso de humor e energia para a comemoração. Sua amada sempre sentiu que seu coração tinha um grande espaço vazio e nunca disse "eu te amo" para o marido, pois no seu íntimo amava alguém que ela não conhecia... nunca soube explicar também de onde tirou o nome das filhas. Os EUA apesar de crescerem fortes e justos, não eram alegres, pois lá não estava aquele que alegraria as noites das pessoas. Ainda que tenha desaparecido da existência, a inexplicável lembrança, mesmo que vaga, do doce menino fazia a vida das pessoas que ele conheceu, um pouco sem sentido e o mundo, um lugar meio sem graça.
Escrito por Diogo Bulldog às 00h40
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I Want to Believe
Logo quando o homo sapiens surgiu na Terra, um deles era muito diferente de todos os outros. Na localidade onde hoje é o leste europeu, todos os homens e mulheres eram bonitos, corpos perfeitos, cheios de vida e, sem religião, todos eram polígamos e muito felizes. Mas Diogo não era nada disso... muito pelo contrário, era feio, gordo, careca, surdo, tinha péssima memória e por ser assim era extremamente anti-social, logo, ninguém o queria ou o amava. Nunca tinha esquecido das chacotas que sofrera nas aulas de "caça ao mamute" e mais ainda nas aulas de "ervas e cogumelos que não devemos comer", quando era um pequenino menino (desde de aquela época já tinha todos os adjetivos citados na frase anterior). Perguntou ao chefe da tribo o que deveria fazer pra angariar algum respeito e amor, quem sabe até uma donzela. "O único jeito de você conseguir alguma coisa aqui" disse ele rindo "é voando!" e começou a rir e todos riram com ele. Alguns dias depois, com o inverno castigando as colinas, Diogo, pobre coitado, subiu no paredão de pedra mais alto. Tinha convocado todos para ver o seu vôo. A multidão, antes mesmo de começar o "espetáculo", já jogavam carne podre, fezes e comida estragada no desgraçado que apenas sorria. Sorrir era um verdadeiro erro ali, pois ele ficou com os dentes sujos de fezes moles que as pessoas jogavam nele, fezes humanas. Subiu ao alto todo imundo mas feliz pois depois daquele momento, ele seria respeitado. O vento jogava sua capa de palha velha para trás e com sua sunga de pele de velho leproso (ele não tinha grana e nem respeito pra usar sungas de peles de recém-nascidos), ele parecia um verdadeiro herói, com as mãos na cintura então, parecia um deus. Olhou pra baixo, lambeu o dedo para sentir o vento e desmaiou de nervoso...
Na era atual, o pequenino Diogo era uma daquelas crianças nerd dos anos 80 que queriam voar igual ao Superman, mas ele tinha mudado de idéia quando a isso porque uma certa vez foi fantasiado de Superman numa festa do colégio e todos riram dele porque ele feio, gordo, careca, surdo, tinha péssima memória e por ser assim era extremamente anti-social, por isso ninguém o queria ou amava. Piorou então depois que ele tentou pular da beira do palco de apresentações dos alunos e caiu mega de boca no chão. Ninguém o ajudou e quando perguntavam a seus pais se aquele monte de merda sangrando ali no chão era seu filho a resposta vinha rápido "Aquilo ali não é meu filho.". Disposto a mudar de tática para ser respeitado dentro da sociedade, Diogo resolveu então voar como no filme do E.T. Pegou sua bicicleta velha e enferrujada e, esperando pela lua cheia no horizonte, tentou rampar e sair voando. Ninguém foi no seu enterro, que por sinal foi como indigente.
Na grécia antiga um rapaz com muito dinheiro não entendia porque ninguém gostava dele. Descobriu o porquê no dia em que o Oráculo assim se dirigiu a ele "Feio. Mais uma moeda e te digo o resto." Diogo dava mais uma moeda para o Oráculo. "Gordo. Mais uma moeda?" mais moeda e mais adjetivos que todos já sabem. Ele tinha ficado a par de uma empreitada de um tal de Dédalos e seu filho Ícaro que sairam voando por aí. Diziam que o tal Ícaro tinha falecido por chegar perto demais do Sol e que o calor tinha derretido a cera das asas. Decidido a voar também para ver se alguma mulher se apaixonava por ele, também construiu a sua asa. Sem conseguir encontrar cera, Diogo resolveu usar piche, pensando que a cor negra daria um ar de Anjo do Mal que as mulheres tanto gostavam. Resolve então testar suas asas numa noite de verão. O céu estrelado, a lua e o mar calmo, tudo conspirava a seu favor. Tal qual Ícaro, Diogo quer voar por cima do mar. Vento, fagulha de tocha no piche e fogo. Diogo ficou conhecido como Ígaro e mais tarde pra ficar bonito mudou para Fígaro "O Ícaro que pegou fogo" que séculos mais tarde teria seu nome em uma famosa ópera que nada tinha a ver com a sua história trágica. Para a dor do morto, surgiu também uma infame piada de mau gosto que era a alegria da criançada.."Qual a diferença entre o Ícaro e o Ígaro?" "Um tinha corpão e o outro era gordão." shuif!
Muito no futuro, todas as crianças nasciam sem nenhuma imperfeição, a genética tinha deixado todo mundo muito bonito, com belos corpos e tudo mais. O mais legal de tudo é que todo mundo tinha super-poder e estes não eram fruto da genética, mas da seleção natural. Pois a mesma seleção natural deu um super-poder muito escroto a um menino que acabara de nascer, seu super-poder era ser muito escroto de todos os pontos de vista... físicos de preferência. A feia redundância da frase é de fato verdadeira, um super-poder muito escroto que era exatamente ser muito escroto. Todas as pessoas evitavam o rapaz, não tinham alma e nem amor no coração. Como todo mundo era muito espiritual e falavam diretamente com Deus, Diogo também falou e perguntou "Quantos já nasceram com esse super-poder ridículo que eu tenho?" rindo Ele diz "Só você." O suicídio era proibido e todos morriam apenas depois dos 250 anos de vida. Diogo era a única pessoa do mundo que sofria de depressão porque ia ter que esperar 250 anos pra morrer, até lá ia sofrer sem amor, mulheres ou poder. Pelo menos quando se fazia 18 anos, eles te davam o dom de voar. Porém, no dia em que fez 18 anos, empurraram Diogo da prancha celestial e ficaram espantados quando ele caiu sem parar até se esburrachar no chão. Estudos comprovaram que Diogo era tão filho da puta que foi o único que nunca vôou e foi o único também que morreu com 18 anos... ele nunca tinha feito sexo.
... naquele átimo em que tinha perdido a consciência, Diogo viu que nunca iria voar, mas já caindo aceitou seu destino. Entretanto, ao ver em meio à multidão, aquela pequerrucha menina, de pele branquinha, pintinhas lindinhas, com maravilhosos olhos azuis, carregando sua cestinha de flores ele amou como nenhum ser tinha amado alguém em toda a história do mundo. Perdeu o medo de morrer e vendo o olhar de compaixão e ternura daquela pequerrucha menina branquinha de olhos azuis ele vôou. A multidão boquiaberta não conseguia entender aquilo. A capa de palha ao vento e sua sunga leprosa colada na pele, Diogo era um verdadeiro herói. Sorri a linda menina e perto dela Diogo pousa. Retira uma flor da cesta e ajoelhado diz "Eu te amo!". Deus então recolhe sua mão aos céus pois não podia deixar que um amor tão grande se perdesse no mundo.
Escrito por Diogo Bulldog às 00h54
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