Há muitas coisas que acontecem na vida do Menino Mendigo, além das suas histórias de fracasso, solidão, dor, ódio, desilusão, depressão, doença, morte, pus, necrose, amputação, câncer, cadeira-elétrica, cemitério, fratura exposta, lepra, desemprego, brasiliedade, perdas e afins, muito do que acontece no dia a dia de sua vida não vem ao conhecimento do público. Eis que agora, em rápidas linhas, veremos o que acontece nos dias da vida do Menino entre um acontecimento bombástico e outro.
Naquela noite de verão, todos pegaram mulher, mas lá estava o pobre menino sendo somente um ele mesmo solitário. Naquela mesma noite todos descobriram estar amando e ficaram felizes... e lá o menino a todos odiando. Pegar, descrobrir e ficar. Diogo pegou... uma doença. Diogo descobriu... que ia morrer jovem. Diogo ficou... extremamente triste.
POW! Errou ela.
POW! Errou ele.
POW! Acertou o Diogo.
"Perdi!" gritou um rapaz... "Perdi R$1,00!". "Perdi! Perdi a novela!" disse um outro. "Perdi..." disse o pobre menino... "Perdi a minha vida." e foi atropelado pelo trem.
Diogo viu um cara com tapa-olho feliz, pois uma mulher o amava. Diogo viu um cara sem perna feliz, pois uma mulher o amava. Diogo tinha todos os membros do corpo intacto, mas ninguém o amava.
Lá estava Diogo junto da multidão esperando o seu momento de tentar desatar o famoso Nó Górdio e tomar a Ásia pra si. Interiormente ele pensava "Vou sacar a espada e cortar o nó e ser feliz.". Eis que na sua frente um filho da puta saca uma espada e corta o nó e é declarado o imperador da Ásia. Diogo cai de joelhos no chão tremendo e balbuciando loucamente "NO! Deus! NO GOD! NOOOOOO!!!!". Na língua de Alexandre o Grande, isso se traduzia como "Por favor! Me mate! Me mate! Por favor!". E então, Alexandre, achando que o menino entregava sua vida em sacrifício, decepou-lhe a cabeça.
Ele se declarou pra ela, dizendo "Eu te amo acima de todas as outras coisas!". Outro cara então chegapra ela e diz "É, tipo, sei lá... eu gosto de você sim.". Ela abraça o último e o beija com paixão. Diogo, ferido de morte pergunta..."Por que?". Ela responde secamente "Sexo com ele é muito melhor do que com você. Fora que ele é mais bonito e bem sucedido na vida.", e se foi para uma noite de sexo selvagem. Diogo mumificou-se ali na beira da praia e chorou enquanto caia a chuva.
Homens de bem chegaram ao topo do Everest. Homens de sucesso, chegaram ao profundo oceano. Homens que tinham mulheres que os amavam chegaram ao Pólo Sul. Homens, ainda eles, que tinham muito dinheiro chegaram ao Pólo Norte. Outras conquistas foram feitas por homens que mudaram o mundo. Diogo também chegou a algum lugar inóspito, o Fundo do Poço.
"Hey, menino! O que está acontecendo?" ela perguntou preocupada. "Estou morrendo..." ele responde sôfrego. Ela o olha com desdém e fala de forma ríspida "Que bom, pior é se você estivesse vivendo."
O médico disse que Diogo tinha 2 semanas de vida devido a uma doença fatal. Na saída do hospital, triste, Diogo vê a mulher de sua vida. Eles se beijam ali mesmo e ela o leva pra conhecer seu pai que trabalha no hospital. "Papai, esse é o Diogo, amor da minha vida." ela diz com voz tenra e adorável. O pai dela espantado sussura no seu ouvido "Mas ele só tem 2 semanas de vida.". Ela vira um tapa na cara do menino e grita "Está tudo acabado entre nós!!!" e Diogo morreu ali mesmo.
O desgraçado menino tentou... e perdeu. Tentou de novo e perdeu. Mais uma vez tentou e mais uma vez perdeu. Um homem que passava na rua, intrigado, também tentou... e ganhou.
Foi beijar a menina e ela sai correndo. Triste, tentou beijar, pasmem, um menino que se colocou a correr. Um cão morreu ao tentar ser beijado. Morto no chão, tentou ser beijado de novo, criou vida e saiu em disparada. Em casa o espelho se quebrou, quando viu a boca do menino se aproximando. O mar se separou, tal qual na história de Moisés, quando estava prestes a ser beijado. Ajoelhado no chão, baixou a cabeça para beijar o chão e o planeta Terra se partiu em dois pedaços. Vagando no espaço se foi, na esperança de beijar as bordas do universo.
Diogo amou mais do que qualquer outro homem, mas Diogo odiou mais do que qualquer outro homem. Amou doce donzela de pele branquinha como a neve e lindos olhos azuis. Odiou a si mesmo e sua pele morena e seus olhos castanhos de fracassado filho da puta.
Na entrevista de emprego, haviam 30 pessoas. 29 conseguiram emprego. Na portaria do prédio, o menino falava aos prantos "NO! Deus! NO GOD! NOOOOOO!!!!" e Alexandre o Grande decepou sua cabeça.