Era o século 16 e lá estava nas ruas da vila de São Sebastião do Rio de Janeiro, um pobre, puído e enlameado menino. Vagava entre as pessoas, em sua maioria portugueses escravocratas e índios. Ninguém gostava dele porque ele não parecia nem português e nem índio, nem negro e nem porra nenhuma. Naquela época ainda não rolava um mesticismo desenfreado do tipo 13% europeu, 30%africano, 10% índio, 24% esquimó e 23% nazista e essas coisas. Todas as raças eram bem independentes, talvez por isso todo mundo era igual, só o coitado do menino que era diferente. Talvez ele tenha sido cagado no mundo. Mas a verdade estava por vir ainda. Mal sabia o menino, prestes a completar 28, que na verdade ele fora abandonado por uma família do futuro muito distante que, para encobrir seu nascimento, viajou no tempo e deixou o pobre desgraçado no Brasil na época já citada. Em seu cérebro no entanto, havia um chip que deveria liberar um aprendizado muito valioso... e isso aconteceria no seu aniversário de 28 anos.
Mem de Sá estava muito puto com os franceses e queria expulsá-los do Brasil. Esses franceses, pessoal boa gente e de fino trato, estava em conluio com os Tamoios, índios guerreiros e canibais, como todo bom índio deve ser. Isso emputecia ainda mais Mem de Sá, porque estava tornando a parada mais difícil pra ele. Mas com o passar do tempo, ele foi, desgraçadamente, minando as forças francesas que ficaram desmotivadas pra continuar lutando. Alguns ficaram tão tristes, que se casaram com índios em relações homossexuais que terminavam numa orgia de carne humana com mijo e bosta. Outros resolveram desertar para a morte, porque desertar simplesmente significava virar um português e isso era muito doloroso. Mas um frances desgraçado, amante da corte portuguesa desertou de verdade, traindo a Mãe França com todo o fervor, seu nome era Jean de Coynta. Ele disse tudo o que os franceses estavam planejando e isso ajudou Mem de Sá e seu sobrinho Estácio.
Mas oq eu ninguém sabia era que naquele dia mesmo, Diogo fazia 28 anos. Andando na rua como um filho da puta, de repente ele teve a clara idéia de seu propósito no mundo, ajudar os franceses a expulsar os portugueses dessa porcaria de terra do caralho. E lá seu foi o menino ainda sujo, mas com a idéia clara como a água da Baía de Guanabara. Não entendeu nada quando se deparou com o esconderijo secreto dos franceses, por ser secreto, ninguém sabia onde ficava, mas Diogo foi direto ao ponto. Por isso foi recebido com festa e alegria porque dizia a profecia que "O menino que achar o esconderijo secreto, será o salvador do povo Anacleto.". Ninguém nunca entendeu o porquê do Anacleto no final, talvez fosse para rimar ou talvez todo o povo francês tivese como antepassado comum um cara chamado Anacleto. Enfim, o menino chegou e logo perguntaram seu nome. Diogo malandro de rua, sabia que era perigoso dar o nome verdadeiro, então disse o apelido que tinha ganho nas ruas. "Menino Mendigo!" disse em voz alta. Os franceses olharam uns para os outros tentando entender o que Diogo tinha dito e então em uma explosão de alegria, carregaram o menino nos ombros gritando fervorosamente "Mendinguê Meninê!" e a partir dali, o malfadado menino era conhecido assim.
Mem de Sá e seu sobrinho estavam no encalço dos fraceses, mas não tinham a menor idéia de que eles tinham uma arma secreta, uma entidade que viria a mudar o curso da guerra. Jean de Coynta havia sido preso pelos franceses naquela época e torturado até a morte pelo maior terror vivo na época, Jacques Bauer. Foram noites de berros, facadas no joelho, unhas arrancadas e scat. Morreu sem dizer nada porém. Mas isso pouco importa, pois a entidade que mudaria o curso dos acontecimentos chegara. A arma maior dessa entidade, eram os novos ideais que ela pregava. Tal qual um messias, Mendinguê Meninê ia pregando e por onde passava, franceses se auto-mutilavam por ele. Passados alguns anos, alguns entraves mostraram para Mem de Sá que os franceses não iriam ceder. A antiga vila já era então, um cidade, estatus necessário para angariar fundos e fortificar os portugueses contra os franceses. No esconderijo secreto no entanto, Mendinguê Meninê ia fazer seu último discurso.
"Amigos e amigas francesas. Vocês me deram sexo, drogas e teatro. Aqui achei minha esposa de ruiva beleza. Morreu, uma pena, em minhas mãos, quando pediu que eu a sufocasse durante nossa sessão de sexo selvagem e brutal que religiosamente seguíamos nas sexta-feiras a noite. Tenho portanto uma mensagem que mudará os rumos do mundo conhecido e dará a vocês..." nessa hora pausou para se vangloriar e levantando as mão ao céu com uma marreta gritou MUITO alto "A VITÓRIA!" nessa hora caíram trovões. Todos se ajoelharam pois acharam estar diante do deus Thor, mas ao perceberem a fumaça e o cheiro de churrasco, se deram conta de que Mendinguê Meninê tinha funcionado como um pára-raio, que nem mesmo existia naquela época. Tomados de pavor, foram ver se o pseudo-Thor ainda vivia. Sim, ele vivia, mas estava prestes a morrer ali mesmo. Então, Jacques Bauer se ajoelhou e pegou o carbonizado menino pedindo gentilmente "Qual a mensagem mestre?". Sôfrego, Mendinguê Meninê respirou e disse a primeira mensagem. "A liberdade é azul..." respirou fundo de novo "A Igualdade é branca!"... tossiu e olhou para o céu limpo, tentando entender de onde veio aquele maldito trovão. "A Fraternidade é vermelha..." e morreu. Os franceses se colocaram em seus navios e fugiram para a França, rogando pragas para que O Messias apodrecesse no inferno. Eles achavam que Diogo diria alguma fórmula para derrotar os portugueses, mas o que falou foi um monte de bobagens e cores. Já na França se colocaram a divulgar a bizarra história que culminaria, séculos depois, na ascensão de Napoleão Bonaparte e sua Revolução Francesa, sem, claro, que Mendinguê Meninê fosse sequer lembrado.
Mem de Sá levou toda a glória por ter expulsado os franceses, ainda que Estácio de Sá, seu sobrinho, tenha morrido devido a uma flechada. Tudo o que contam nos livros de história é uma mentira. Se tivesse sobrevivido, Mendinguê Meninê poderia ter explicado a mensagem e os portugueses pereceriam. Talvez assim em 1979, quando um menino ouvisse, dentro da barriga da mãe, um país chamado Brésil ao invés de Brasil, não tivesse este tentado o suicídio com o cordão umbilical.