Ridicularidades Poéticas
No corpo gasolina, fogo no isqueiro. Canção natalina, fogo no pinheiro.
Bala na testa, parede bem vermelha, Cheiro de festa, Menino sem orelha.
Um câncer no pulmão, no fígado uma cirrose. Palpitante o coração, morreu de sarcoidose.
Cadeira-Elétrica, Fogueira de São João. Fita-métrica, Pega Ladrão.
Canibalsimo gostoso, estupro e sodomia. Cérebro bem cremoso, e Trem da Alegria.
Dedo na tomada, seja sagaz. Unha encravada, Câmara de gás.
Ainda bem que eu morri, Inadvertidamente nessa vida. Depois que eu segui, Seus passos na corrida.
Gosto de Brutalidade, Detesto Violência. Amo a Crueldade, Odeio a Convivência.
Chupa a cabra, morde o picolé. Abracadabra, frieira no pé.
Preso nas ferragens, desejou morrer. Moído na engrenagem, perguntou porque?
No pulso a gillete, bundinha de neném. Lá vai a mobilete, pilotada por ninguém.
Explosão nuclear, muita inanição. Juntos a dançar, cheios de paixão.
Leite no peito, suor na virilha. Político eleito, Chefe de quadrilha.
Sem mais o que pensar, se masturbou de montão. Foi com muito pesar, que ele gozou no chão.
Escrito por Diogo Bulldog às 02h39
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O Outro Filho Parte I
Era triste e penoso ele estar ali naquela casa, esta aconchegante não entenda mal. A lareira queimando, afastando o frio rigoroso do inverno, o cheio do chá quentinho na chaleira... o aroma de ervas na manteiga derretida na frigideira com um súbito chiado de ovos batidos ali derramados. A voz do pai já velho, trazendo consigo uma presença forte e respeitosa, mas também benevolente e acolhedora. Como era então triste e penoso estar ali? No canto da casa desde que nasceu, o pobre Diogo apenas acompanhava o dia a dia dos afazeres do pai e deu seu filho predileto que era mais novo do que ele. Apesar de toda a amargura e do abandono, ele nunca chorou, nunca reclamou, mas estava sempre ali sem ser notado, no canto da casa. Diogo amava a bela menina que algumas vezes ia comprar algumas coisas na casa. Era tão linda e tão meiga aquela adorável lourinha de bochechas rodadas. Salientando sua beleza já sobrenatural, além das bordas de mel ao redor das pupíla de seus olhos verdes, na pontinha de cada maçã do rosto, uma leve pintinha. "Olá minha doce Katee, qual você irá levar hoje?" perguntava seu velho pai à linda menina. Kathryn Ann era uma deusa entre os homens, uma musa inspiradora e ele, desgraçado como só, nunca se levantou para falar com ela, nem para chamá-la pelo carinhoso apelido... "Katee." ele pensava. Ela estava sempre a se divertir com o outro filho do velho homem e sempre demostrou muito afeto por ele. Brincavam na rua e ia comprar flores juntos. De dentro da casa, Diogo ouvia seus cantos, suas risadas e suas palavras de carinho. Se corroía então em ódio, inveja e desespero... isso tudo ali, no canto esquecido da casa.
Não havia, dentro do que ele compreendia, diferença entre ele e o outro filho do velho. Eram quase idênticos! Diogo talvez fosse um pouco mais sem graça e sem vida, mas ainda assim semelhante. Não entendia portanto a diferença de tratamento. Porque seu velho pai não lhe dirigia palavra? Porque tinha que ficar ali no canto da casa e ver Katee adentrar feliz com o outro e nem sequer lhe lançar um olhar? Não via honestidade no irmão, se é que se podia chamá-lo assim, não conseguia enxegar nele um bom menino pois sempre o via se enveradar por pequenos problemas e mal criações. O pai vendava-se para isso enxergando naquele pequeno traquinas seu futuro. Diogo percebia então que o velho não o queria e não via nele, furuto, por isso vivia abandonado naquele canto escuro e frio da casa. Mas nem tudo era escuridão porém. As visitas de Katee foram se tornando mais e mais frequentes, levando luz e paz para a casa e para o coração do abandonado. Estava sempre linda e bem vestida, parecia não falar, apenas cantar, dançar e não andar. Chorava por dentro por não poder dizer o quanto a amava, ou tocar em deleite, a sua pele alva. O outro tudo isso fazia e Katee correspondia, dizendo sempre que esperaria o dia em que ele se tornasse um menino.
Um dia nebuloso porém veio em que o outro filho se colocou em encrencas e sumiu. Notícias desencontradas chegavam a todo instante, mas nunca eram boas. Diogo não se surpreendia pelas más notícias, estas sempre dizendo que o fugitivo tinha se engraçado com companias duvidosas e que se enveredara em negócios escusos. Ria-se por dentro o pobre abandonado no canto da casa, mas chorava à noite penalizado pela dor do velho pai. Este deprimido, parou com seus afazeres e se trancou em casa por um tempo, isso significou um período em que Diogo não pôde ver Katee, apenas ouví-la quando passava pela rua a lamentar-se pelo desaparecido. Mas o dia mais negro ainda estava por vir quando seu velho pai se colocou numa busca desesperado pelo filho fugitivo. Agora, mais sozinho do que nunca, Diogo estava desejando desaparecer, sua existência estava se mostrando um verdadeiro desperdício, sua passagem pelo mundo seria uma chacota, uma derrota... um fracasso total. Rezou então com todas as forças, mesmo ali, no canto da casa, jogado e abandonado, ele rezou fervorosamente como nunca antes... foram dias e dias a rezar até que se sentisse abandonado também, por Deus. Passou então a pedir ajuda à escuridão e ao mal. Não muito tempo depois de começar, Legião se mostrou entre as sombras e perguntou incrédulo "Não sei que feitiçaria te assolou, mas pensante, me digas o que queres, vejo virtude em sua alma e a desejo em minha legião.". Diogo não conseguia nem tremer de medo, mas desejou poder dali sair livre e ir atrás do velho pai. "Livra-te de seu fardo, trago vida ao seu coração. A lábia do bom bardo, muitos trazem à Legião." disse o demônio em um coro gutural de duas mil vozes. "Lembre-se, seu destino está ligado ao meu, assim como o meu ao seu.". Com esse novo sopro de vida, Diogo colocou-se de pé e caiu na estrada. Não antes, foi ter com Katee.
Escrito por Diogo Bulldog às 23h55
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O Outro Filho Parte II
Encontrou-a passeando e colhendo pêras na beira do lago e lá, ele caiu de joelhos a chorar. Jamais teria imaginado ver tal cena. Uma aura de luz maravilhosa, refletia na pele dela, com um dourado fulgurante nos cabelos. A luz do sol ressaltavam seus olhos verdes coroados de mel e suas pintinhas nas maçãs do rosto. Diogo agradeceu a Legião em prece fervorosa e foi falar com ela. "Kathryn Ann, mais bela do que se pode dizer a língua dos homens. Amo-te em segredo desde tempos esquecidos. Não me conheçe, mas eu a conheço. Parto em busca de meu pai perdido e de seu outro filho, e quando findada essa missão, terei talvez tempo maior para expressar meu amor e minha gratidão por coexistir com você." disse e pegou-a nas mãos "Eu a amo mais do que alguém poderia amar outra pessoa nesse mundo." e partiu em disparada. Katee ficou paralizada, jamais tinha ouvido tais palavras que foram proferidas com uma ternura e paixão desconhecidas para ela até então. Ali, amou Diogo com todo o seu coração... mas ainda deveria esperar ele virar de fato, um menino.
Diogo foi atrás do pai com apetite de um leão. Visitou vilas, cidades e fazendas. Colheu inúmeras informações e pistas. Foi tão longe, que chegou até o mar. Ficou bestificado com a quantidade de água e com a fúria e o comportamento nada amistosodo oceano, pois nunca o tinha visto. Descobriu que seu pai partira em direção ao horizonte a alguns dias e que fora devorado por um ser de proporções épicas. Diogo roubou um barco pesqueiro e se embrenhou mar adentro na esperança de caçar tal monstro bestial. Na terceira noite então, sob a luz da lua, viu olhos descomunais brilhando a uns 200 metros do barco. Içou as velas e aproveitando o vento foi de encontro à fera. A luta durou mais de 4 meses e todos os oceanos da Terra foram visitados. Por onde passou a batalha, o mar recuou, tamanha era a brutalidade da luta. Diogo ao ir de encontro, naquela noite de lua, com aquele enorme monstro selou seu destino com Legião que aparecendo ao seu lado disse "Avante vamos nós, pois lá está Leviatã e nesse embate o destino das hostes infernais!". Passados então os 4 meses mencionados, na costa de seu país natal, Diogo jazia já sem forças e em frangalhos. Ao seu lado Legião também fraco e machucado, porém vitorioso. Leviatã jazia, preso na grande muralha de pedra. "Então diz-me," disse Legião e suas 2 mil vozes "quem devo libertar do ventre de Leviatã?". "Meu velho pai e seu filho." disse Diogo ofegante. "Assim será. Todas as outras pessoas, se juntarão a Legião."
Tanto o velho pai quanto o filho predileto, dormiram alguns dias enquanto corria a lenda de que o filho salvara o pai de dentro do ventre de um enorme tubarão, conhecido como "Átila dos Peixes". Diogo tinha voltado para o canto da casa pois desejava fazer uma surpresa para o velho pai. Porém o outro filho acorda primeiro e na cozinha se senta. Uma luz maravilhosa aparece, Diogo pensa tratar-se de Katee, mas se repara ser uma bela fada que diz "Pinóquio, você se tornou um verdadeiro herói, um garoto justo, corajoso e bondoso. A partir de agora, será um menino.". E o filho da puta simplesmente virou um menino de verdade!!! Diogo se levantou para reclamar mas nessa hora entra Katee na casa. A fada vê Diogo indo em direção a ela e o repele. "Ela é minha, eu a amo acima de todas as outras coisas!!!" ele grita. Pinóquio nada entende. A fada desgraçada levanta a vara de condão e diz furiosa "Você entregou sua alma ao mal, merece uma morte dolorosa, seu boneco mal feito filho da puta!"... e lança uma praga de cupins em Diogo. Pinóquio ri, a fada se vangloria... Katee tenta desesperadamente tirar os cupins de Diogo, dizendo que o ama e que o amará até a eternidade. Diogo toca o rosto dela e chora... em seu último suspiro diz "Me juntarei a Legião, mas mesmo lá, a amarei, talvez Deus me perdoe por isso e eu a veja no dia do juízo final.". Foi então, totalmente carcomido pelos cupins. Gepeto acorda com a algazarra e ouve a história. Nunca se perdoou pelo que aconteceu, se matando enforcado algumas semanas depois. Pinóquio teve uma overdose de ópio e morreu na sarjeta nos anos que se seguiram. Katee teve a vida mais errada possível, esperando ir pro inferno na esperança de lá, casar-se com Legião, onde agora se encontrva seu amado.
ps.: Para melhor visualização da personagem Kathryn Ann, a.k.a. Katee http://img502.imageshack.us/img502/9455/kateely0.jpg
Escrito por Diogo Bulldog às 23h52
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