Não há novidade quando dizemos que "Assim como a água é transparente e o Sol é quente, o Diogo é um perdedor fracassado filho da puta do caralho que só se fode e se afunda cada vez mais na melancolia, na tristeza, na doença e na vergonha por parte de si mesmo e na exclusão por parte dos demais.". Assim sendo há de se ressaltar que há segundos, sim, segundos apenas, em que Diogo é realmente feliz. São segundos que fazem valer a pena viver essa vida de merda. Tirando os anos em que amou e foi amado, foram pouquíssimos os segundos de felicidade que ele teve. No dia de hoje, 5 de julho, um dia após as comemorações da Independência do Maior e Mais Glorioso País do mundo, Diogo teve esses segundos. Antes que se pergunte, sim, Diogo ainda ama e venera os EUA mesmo este sendo causa de muita dor para ele. Mesmo negando a entrada do pobre rapaz em seu território, o amor pela Grande Nação não cessa, como o amor eterno entre dois amantes. Essas dores, essa depressão salpicada de melancolia, misturada com tristeza, doenças e afins foram esquecidas... naqueles breves segundos.
Em casa sem nada pra fazer, Diogo fica sabendo que Jack Bauer está na cidade. Procura incessantemente então, informações sobre que horas e onde estará seu herói. Munido da informação, Diogo sai, em plena convalescença e com menos sangue no corpo (tinha retirado um naco para exames), numa busca épica até a mais famosa praia do mundo... Copacabana. O ônibus gelado, fazendo-o se retorcer de dor e alimentando sua rinite alérgica, o PSP dando pau e não querendo tocar músicas. Nada porém impediu que Diogo fosse atrás de seu herói. Só não contava com o amadorismo do motorista que o deixou quase em frente ao Meridien, pois não podia parar no meio da pista, já que a que beira o calçadão estava tomada de máquinas para o porra do Pan-Americano. Reunindo forças sabe-se lá de onde e com a cabeça a explodir de dor, foi andando em direção ao Copacabana Palace e lá se prostrou.
Durante 3 horas agoniantes Diogo se manteve são apesar de tudo. Ele estava sozinho, como sempre em sua vida de excluído desgraçado, e via amigos e amigas conversando, casais felizes namorando, pessoas ricas em carrões e Lenny Kravitz. Todos tinham máquina digital, todos tinham celular com câmera... todos tinham dinheiro para um biscoito ou um sanduíche. Diogo nada disso tinha, mas apenas a força de vontade de ver seu herói. Vários foram os alarmes falsos, como a chegada do já citado Lenny Kravitz que arrogante, desdenhou dos parcos fãs que o aguardavam. Alguém mais tarde o mostraria como se trata um fã.
Pontualmente às 21:15h param 3 citroëns pretos fodássos na frente do hotel, seguranças fazem um cordão de isolamento. Diogo prende a respiração, ele está de frente pra saída do hotel, atrás do carro do meio que, corretamente, supôs que levaria o Maior Herói de Todos os Tempos. Os fãs agitados, confraternizam-se uns com os outros, até mesmo com o sempre excluído da vida das pessoas. E vindo pelo saguão Diogo vê Jack Bauer em toda a sua glória. Muito bem vestido, de terno, como nos tempos de diretor da CTU. Ao passar pela porta giratória, Diogo esquece toda a sua timidez e vergonha e grita eufórico "DROP THE GUN! JACK!" apontando para Jack fazendo de sua mão uma arma. Diogo treme, suas pernas vacilam... ali, a sua frente está ele, salvador do mundo, deus entre os homens. Ele incrivelmente sorri fitando Diogo e sai a distribuir autógrafos sem conta. Ele agradece um por um olhando nos olhos da pessoa, num gesto de fazer Lenny Kravitz se diminuir até desaparecer, ele se mostra paciente, mesmo estando atrasado para um compromisso. Diogo está do outro lado do carro e quando Jack chega à porta do carro, começa a pegar papéis das pessoas que estão ao lado do Diogo para autografar também. Diogo aproveita e pega na mão de Jack e diz "I'm not gay! But I love you! I Love you!" e Jack da uma sonora risada. Ainda segunrando a mão de Jack, Diogo diz "You done a great job on 24! Keep the world safe Kiefer!" e ele com aquele vozeirão olhando diretamente pra um esbasbacado menino agradece "Thank you very much!". Mais alguns agradecimentos e enfim diz que sente muito mas está atrasado para um compromisso. Sorri para todos e acena com as duas mãos. Vai-se o grande herói que, além de muito solícito, é cheiroso. A partir de hoje, quando ver 24 Horas ou qualquer filme de Kiefer Sutherland, Diogo vai lembrar daqueles breves segundos de alegria, segundos esses que fazem valer a pena viver essa vida de merda. Os carros vão, as pessoas vão e Diogo vai... querendo compartilhar o momento com alguém. Mas tem coisas, que nem mesmo Jack Bauer pode fazer acontecer.