As coisas realmente não estavam boas para aquele rapaz barbudo. Ele estava fracassando onde muitos outros tiveram sucesso. Ele fracassou quando adotou a infalível "Filosofia Enéias". Cansados de serem chamados de carecas, muitos deixaram a barba extremamente grande. Diogo nunca tinha sido chamado apenas de careca, mas sim de careca filho da puta, careca falido, careca inútil e careca mais adjetivos maldosos. A adoção da "Filosofia Enéias" então se mostrou uma verdadeira benção para os carecas, porque eles dexaram de ser "Aquele Careca" e passaram a ser "Aquele Barbudo". Deixando a barba crescer imensamente, Diogo saiu na rua. Um criancinha, com a boca lambrecada de sorvete, parada no ponto do ônibus com sua mãe, olha pro desgraçado e diz "Olha mãe, um careca filho da puta e ao seu lado um cara barbudo.". Diogo olha pro lado e vê um careca barbudo. Possuído pelo demônio, ele começa a chorar e antes de sair correndo de vergonha, dá um tapa na mão do menino e derruba seu sorvete. Sem titubear o menino grita "Mãe aquele careca malvado jogou meu sorvete no chão.", e todos gritam "Pega o careca! Pega o careca!". Alcançado metros depois, Diogo é preso e torturado. A povo exigiu que ele fosse humilhado em público e o governo, sentindo o clamor da multidão, fechou a Rio Branco num agradável domingo de primavera e fez um desfile de um careca só. A multidão gritava em uníssono "Pega o careca!" enquanto jogavam estrume humano nele, copinhos de mijo, camisinhas gozadas e comida podre. Eram mais de 2 milhões de pessoas e nenhuma reparou que ele tinha barba.
Voltando para a cadeia, Diogo resolveu passar o tempo estudando grandes ditadores modernos e suas obras. Mas descobriu logo que a maioria dos ditadores modernos eram comunistas safados, porcos bolcheviques. Ele esperava que com eles, pudesse aprender a dominar as massas, pois achava que seu semblante de fracassado fosse a razão de toda a sua ruína. Não que fosse apenas o semblante, ele era realmente um caso único de fracasso total no mundo, além de ter sido considerado pela revista Time, como o cara mais triste vivo. Começou então a ler o "Mein Kampf". Com essa leitura, aprendeu um pouco a dominar uma oratória forte e impositiva e ainda aprendeu os dogmas anti-semitas. Diogo não era anti-semita, mas depois de tudo o que sofreu, se tornou um anti-ser-humano, canalizando a raiva com que Hitler tratava os judeus e os comunistas do leste para todo e qualquer ser-humano desse planeta. Mesmo tendo aprendido bastante, Diogo achou Hitler um verdadeiro babaca. Sua oratória era sim, muito boa, mas ele perdeu toda a razão ao se suicidar, como Diogo ficou sabendo ao ler a sua biografia. O pobre menino acreditava que um bom orador podia convencer o inimigo de que ele estava certo, mas Adolf preferiu a maneira mais fácil de sair daquela situação.
Ele começou a teinar todos os dias. Estudava com afinco as regras e técnicas para falar e convencer. Estudou também grandes nomes como Aristóteles e Cícero. Descobriu que estava no auge quando, 10 anos depois de começar o treinamento, conseguiu convencer seu reflexo no espelho a nunca mais aparecer na sua frente. Testou o mesmo com sua sombra e ela se foi. Ele estava tão poderoso que temia que se ele falasse consigo mesmo seria convencido. Chamou o guarda e com uma oratória brilhante, o convenceu a fuzilar todos os presos do corredor e depois se matar. Só que Diogo, burro pra caralho, se esqueceu de pedir pro guarda abrir a cela primeiro e este, se matou bem longe da cela, na entrada do corredor. Então, ele pode sentir a dimensão e o peso da sua palavra... "Levante-te e anda!" e o guarda, morto, se levanta e sai andando. Sai andando pra fora do corredor e Diogo desesperado grita palavras de ordem.... tarde demais. "Se posso ressucitar os mortos, posso fazer qualquer coisa!" pensou vibrante. "Abra-te Césamo!" e a cela se abriu. Depois disso, partiu para conquistar e dominar o mundo. Por onde passou, ordenou morte e violência, mas a morte pouco durava, pois Diogo aproveitou para montar seu exército de mortos-vivos, um sonho de infância que ele tinha desde que viu "Evil Dead - Army of Darkness". Encontrou o menino do sorvete, já crescido, e o obrigou a chamá-lo de barbudo. Sim, Diogo apesar de tudo, continuava a seguir a "Filosofia Enéias".
Agora ele era praticamente um semi-deus, ele dividia o mar como Moisés, era comparado em beleza com o Brad Pitt e estava mais rico que o Bill Gates, a quem obrigou que fizesse um depósito bancário com toda a sua fortuna na conta do menino. O objetivo principal era fazer com que todas as pessoas do mundo fossem tristes, na ditadura do Menino Mendigo, ninguém seria feliz. Diogo ria do circo de horrores que criara, principalmente da "Noite da Amputação e do Estupro" quando ele ordenava que as pessoas se amputassem e estuprassem seus semelhantes com muito remorso e dor. Era uma recriação moderna do coliseu romano, mas para o entretenimento de uma só pessoa. Desenvolveu um sistema de som mundial para que sua voz fosse ouvida em todos os cantos do mundo. Levava consigo um pequenino microfone que quando falava, o mundo todo obedecia... não só pessoas, como também animais e objetos. Porém, nas comemorações do seu primeiro ano de ditatura total, absoluta, violenta e genocida, Diogo a viu. Viu ela entre todos os seus súditos e ali mesmo a amou. Ordenou que o vento soprasse seus cabelos loiros, mandou a luz do sol refetir seus olhos verdes e exigiu que o tempo corresse devagar pois iria mandar ela vir correndo em sua direção e assim teria uma linda cena de filme onde finalmente encontra o amor. O tempo diminui, ele manda ela vir... e ela não vem. Ele fala mais alto, gesticula e nada. Furioso, manda tudo voltar ao normal e diz pra ela "Eu exigo que você venha aqui, diga que me ama e me peça sexo anal brutal!!!" Ela não se mexe mas diz "Eu não o amo e só faço sexo com pessoa que tenha cabelo e não com carecas.". Possuído completamente pelo capeta, Diogo parte pra cima dela para socar a cara da piranha no poste, mas fraqueja... ele a ama demais e como todos sabem, o amor é o ponto fraco do ditador. Cai de joelhos no chão, mais triste do que nunca antes e percebe que sob o objeto do seu amor, não tem nenhum poder. "Você não me ama?" ele pergunta chorando. Ela afirma que não e diz que na verdade o que sente por ele é ódio. Diogo, transtornado de dar dó e muito confuso, descobre que um antigo temor seu era verdadeiro, o poder de convencer a si mesmo. Descobre isso ao pensar em voz alta "Eu desejo morrer a não tê-la."... e morre ali mesmo. Um menino passa por ali com sua mãe e diz "Olha mãe... um careca morto."