Todos sabem o ícone sócio-cultural, atermporal, que é o personagem Diogo Bulldog "O Menino Mendigo". Por se tratar de tão icônico personagem, criado por mim, sendo o próprio eu mesmo em sua vida desgraçada, falaremos um pouco sobre as origens dessa criação e das criações que ele criou.
O que seria de Diogo Arneiro, hoje um homem à margem da sociedade, sem seu alter-ego louco, de idéias estapafúrdias e um jeito repelente de mulheres? Muitos são os que perguntam sobre as inúmeras, realmente são inúmeras, histórias verídicas que aconteceram com o probre menino. Muitas das vezes desacreditado tamanho o absurdo das situações, Diogo tem a seu favor testemunhas oculares, mas nem precisaria, a sociedade já prova acreditar quando o pune mesmo sem conhecê-lo. A aura criada pelo personagem, impregnada no criador, já entrega o pobre menino à rejeição, ao escárnio e à exclusão social. Para sorte de Diogo Bulldog há pessoas no mundo com um senso de humor doentio, o que permite a ele ter amigos. São incontáveis os seus talentos, muita das vezes renegados pelo simples fato de morar num país de merda como o Brasil, fato tal que o deprime. Sabe muito bem Diogo que, se nascesse nos EUA ou em algures do mundo de verdade, teria se tornado, não um ícone sub-aproveitado e triste, mas uma estrela da mídia e extremamente rico. Antes de Jackass, antes de Jack Black, antes da Arte de criar o absurdo sem entorpecentes... lá estava o menino a chocar o mundo quando no ventre da mãe, tentou se matar.
O início de tudo vem então, do último trecho da última frase do parágrafo acima, história já contada outras vezes mas que não custa lembrar rapidamente. No ventre da mãe Diogo descobriu que ia nascer no Brasil. Sem pestanejar, enrolou o cordão umbilical no pescoço e tateando no escuro, encontrou uma cadeirinha. Nela subiu e sorrindo, deu um passo a frente. Enquanto sufocado, se contorcia, rindo a contento, nasceu... e ali começou a vida do menino.
Pulando sua infância, quando viu "Comando Para Matar" e "Conan" umas 365 vezes e "Rambo" outras dezenas, nada de mais interessante aconteceu em sua vida. Talvez o fato de ter batido a cabeça em diversos lugares e modos diferentes, tenha contribuído para o que, em sua adolescência, viria a se tornar um dos Maiores Ícones da Sub-Cultura Barramansense, quase tão folclórico quanto Quén-Quén, Feio, Maria Bacia e Estou-Morgado. (O que convenhamos é uma porcaria de nada.)
Já completamente maluco nessa época, metaleiro de primeira linha, criou amizades que de fato, foram decisivas na criação do polêmico personagem. Histórias serão contadas em outras oportunidades, mas aqui teceremos um pouco da genialidade do criador e da ciratura que se confundem entre si até mesmo para ele mesmo. Fãs então de telecatch, resolveram Diogo e Rubinho, criarem seus alter-egos mediante a escolha de um lutador a quem fossem parecidos e fãs. Já naquela época, Diogo era o Shyriu de Dragão e Rubinho o Yoga de Cisne... alguém devia ser o Shun e ninguém queria ser o Seiya. Muitas batalhas épicas foram travadas entre esses dois no meio da rua e a filosofia de derrotar o inimigo até a morte e perdoá-lo antes dessa o levar se tornaram clássicas e assinaturas em algumas obras, que falaremos adiante, do Menino Mendigo. Nos fins-de-semana, já nerds desde o nascimento, preferiam ficar em casa vendo Arquivo-X do que sair pra pegar mulher e claro, vendo as sensacionais lutas da WWF, torcendo por seus heróis e glorificando Horovitz, o único lutador de segunda que vimos vencer um astro principal. Rubinho era cópia carbono do maior de todos os lutadores, na ativa até hoje em alguma confederação de lutas, Undertaker "O Coveiro"... tornou-se então, Rubinho Undertaker e com ele não tinha coré-coré. Diogo se assemelhava em força e honra ao falecido British Bulldog, um Grande Campeão... nascia ali então, Diogo Bulldog. Mais uma vez, lutas épicas, que atravessavam a cidade e duravam uma enternidade eram travadas em meio às pessoas que chocadas, paravam em reverência ao embate... mas a verdade era que paravam para identificar de quem eram filhos aqueles dois para criticar seus pais nas fofocas do fim de semana. A filosofia dos Cavaleiros se manteve intacta, a morte redentora. Já nessa época, Diogo Bulldog desfrutava de fama, ruim, entre os cidadãos, taxado de drogado, maluco e afins. Ali era dado então, o primeiro passo para o que culminaria com o nascimento de Diogo Bulldog "O Menino Mendigo", porque herói que é herói tem que ter nome e codinome.
Diogo Bulldog "O Menino Mendigo" - Cineasta:
A mente fervilhante do menino atirava para todos os lados da sua criatividade doentia e mórbida, resolveu então fazer seus filmes. Foram muitos curtíssimos mas destacaremos aqui os 3 mais famosos e de maior sucesso. Trabalhando como Roteirista, Diretor-Faz-Tudo e provando ser um ator melhor do que qualquer porcaria que se vê no país, Diogo criou, com amigos que serão citados abaixo juntamente com outras informações, filmes épicos, com efeitos especiais de primeira linha e um bom roteiro criado na hora.
- O Policial Mágico:
Diretores - Diogo e Rubinho
Roteiristas - Muita Gente
Atores - Policial Mágico e Cid Moreira (Rubinho), Bandido Mascarado (Diogo)
Efeitos Sonoros - Rubinho
Câmera - Estante do quarto do Diogo e alguém que apertava o botão
Efeitos Especiais - Júnior Negão, Pipoca e quem mais tava no quarto.
_Filme extremamente curto, deve ter menos de um minuto, onde uma reportagem do Jornal Nacional, na voz de Cid Moreira (Rubinho), revela uma reportagem exclusiva de como o Policial Mágico (Rubinho) invade o "QG do CV" e desmascara o Bandido Mascarado (Diogo). Ao invadir o barraco, os dois personagens ficam sambando um na frente do outro até que, com uma palavra mágica, o Policial vai tirando peça por peça de roupa do Bandido até que sua máscara é retirada, expondo a verdadeira face do homem. Com exelentes truques de câmera e atuações muito boas, o filme quase não foi visto, ainda que tenha sido um sucesso. Destaque para a faixinha do Rambo-da-Paz na cabeça do Diogo que acabou o filme só de cueca.
- O Policial Dão:
Diretores - Diogo, Vinícius e Dão
Roteiristas - Diogo,Vinícius e Dão
Atores - Diogo (Policial Sem Nome 1/Chefão), Vinícius (Policial Sem Nome 2/Único Cara do Quarto 2) e Dão (Policial Dão/Único Cara do Quarto 1/Cara Com Arma)
Efeitos Sonoros - A boca da galera
Câmera - os 3 de sempre
Efeitos Especiais - Diogo
_Quando o crime domina a cidade, 3 policiais durões resolvem invadir a mansão do chefe e levar morte a todos que aperecerem na frente. Com um início avassalador, quando Policial Sem Nome 1 (Diogo) mete o pé na porta juntamente com Policial Sem Nome 2 (Vinícius) e saem atirando no Único Cara do Quarto 1 (Dão), o filme não dá sossego para o espectador. Em outra cena arrasadora de ação, muito antes de Matrix, Policial Sem Nome 1 e 2 invadem outro quarto e matam outro Único Cara do Quarto 2 (Vinícius) que se entorpecia sem parar ouvindo Punk Rock. Saindo para a varanda, um Cara Com Arma (Dão) fere Policial Sem Nome 1 que ainda assim, num ato heróico, joga uma granada que mata o atirador numa cena de explosão de tirar o fôlego. Nesse momento chega o Policial Dão para reforçar mas ele e o Policial Sem Nome 2 se deparam logo com o Chefão (Diogo) que mata o Policial Dão e fere de morte Policial Sem Nome 2. Sedento de vingança, Policial Sem Nome 1 arma pra cima do Chefão e o mata enquanto ele dorme na cena mais assustadora do filme que é ligada diretamente à mais dramática quando com o corpo do amigo nos braços, Policial Sem Nome 1 grita "Nooooooo!" sem aceitar a morte do amigo.
- O Bicheiro Amaldiçoado:
Diretores: Diogo e Patrick
Roteiristas: Diogo e Patrick
Atores: Bicheiro Amaldiçoado (Diogo), Patrick (Patrick), Regina (Regina Ratinha) e Mulder (Hamster de estimação do Diogo)
Efeitos Sonoros - Não tem
Câmeras - Diogo e Patrick
Efeitos Especiais - Os 2 de novo
_Um pedinte chaga a uma casa e é severamente expulso por Regina (Regina Ratinha). Ela é advertida por Patrick (Patrick) que o cara em questão se tratava do Bicheiro Amaldiçoado (Diogo), um ser capaz de se tranformar em Demônio. Louco de raiva, o Bicheiro usa de magia milenar da escuridão para invocar 3 demônios e ganhar poderes nunca antes imaginados pelo homem tal como, força bruta, intangibilidade e o poder de tranformar pessoas em ratos. Usando de seus poderes, após uma macabra e alucinante cena de transformação, Bicheiro Amaldiçoado invade a casa sorrateiramente, usando seu poder de ficar intangível. Primeiramente mata a facadas, a pobre Regina, que dormia um sono tranquilo. Ainda mais louco de raiva e descontrolado pelo cheiro de sangue, Bicheiro vai à caça de Patrick que a essa altura tenta armar um rifle para matar o Bicheiro. Mas Bicheiro, entoando palavras a muito esquecidas de magia negra, o tranforma num rato, numa cena repleta de efeitos especiais. Com o mísero rato perambulando pelo recinto, Bicheiro pula e o esmaga com os pés, tento assim, sua vingança. Destaque para Mulder, o melhor ator do filme.
Ainda podemos citar outros filmes menores e de menor sucesso como "Meu nome é Vovô" também conhecido como "Ê Vovó! Ê Vovó! ÊÊÊÊÊ!", "Homem se Machucando ao Descascar uma Batata", "Uma Luta Épica no Aniversário do Diogo" e "Dotôzio? Doutor Luiz Carlos?" onde numa magistral interpretação, Diogo dá vida a Toni na voz do próprio... agora quem é Toni?. Nunca saberemos. Também podemos creditar ao Menino a direção e participação como vocalista no clipe da música "Trash do Peter North" da sua banda alternativa Blãs-Uwako, que será tema de nosso próximo tópico.
Esses filmes foram vistos e revistos e cremos terem se perdido no tempo, ou não. Se um dia colocármos as mãos neles de novo, com certeza irão parar no Youtube. Todos foram feitos com amor ao cinema de qualidade quando imperava a mesmice no cinema mundial.